

Não sei se me vou conseguir explicar a escala (há um erro óbvio na graduação) desta "Água Boa" de pH aí pelo 2 e que fazia (e faz) muito bem à pele.
É que um dos lados da escala é volúmico e o outro mássico.
E cada um deles é comparativo. Com água de pêras e água de maçãs. Ou sumo.
E ela usou-a nas pernas. Num varandim mal amanhado.
Há alturas em que a afirmação conveniente é um insulto intelectual.
Por se julgar que a afirmação razoável conduz ao caos.
Esta presunção é intestável. Seria necessária a velha história da ida por um caminho para medir as consequências e a volta atrás para seguir o caminho alternativo, medir as consequências e comparar.
E depois a História mostra-nos que o caos chega muitas vezes (quase sempre) por outras vias.
Esta coisa de se ir a correr dizer que não há uma relação causa-efeito quando nada se sabe sobre a causa, apenas sobre o "efeito" é o exemplo típico da afirmação presumidamente conveniente.
O politicamente correcto, afinal. Por enquanto.
Uma escolha é hoje assim, amanhã assado.
Até hoje, escolhi estas fotos para colocar no Flickr. Não me comovo com o resultado, já o disse há anos.
Mas é isto o que fui capaz de fazer, de escolher. Não me envaidece nem me envergonha. Sou eu e uma máquina.

O que eu sempre conheci por tromba d'água é o que se pode ver neste filme de Alessandro Coelho, encontrado no blogue Papo de Meteoro.
Lembro-me de ter visto este fenómeno umas duas ou três vezes em toda a minha vida, ao longe no mar.
Uma chuvada forte e localizada é hoje designada da mesma maneira.
Só que lhe falta a tromba...
fotos de autores alheios a este blogue
Há muito que tinha assinalado as semelhanças.
Não exactamente com esta ou com aquela mas com a intersecção das duas.
Como se fosse neta de duas mulheres da sua idade e de avós placebos.
Esta fotomontagem é feita a partir de fotografias públicas que não são naturalmente da minha autoria.
Apenas me abstenho de revelar a origem para não tornar óbvio quem são as duas mulheres aqui fundidas.
Sem outra pretensão que não seja a de admirar o resultado.

Ouvi o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça afirmar que fora reeleito praticamente com os mesmos votos da última eleição. Um décimo a menos, acrescentou. E cito de memória.
Ora é justamente no décimo a menos que está o busílis. A tal interpretação do Direito. E bem sei que as sentenças que o Presidente do STJ profere para os jornalistas não são exactamente aquilo a que se chama sentença judicial passível de ser interpretada assim ou assado.
Mas analisemos.
Trata-se de um décimo de quê?
Se estamos a tratar de uma votação, não se vê que possa ser outra coisa senão de um voto, do número total de votos ou até de um décimo percentual do mesmo número de votos.
Atentemos na primeira hipótese: É pouco crível que um ou mais conselheiros tenham votos com ponderação decimal. Mas suponhamos que um de entre eles em vez de um voto tem nove décimas de voto. E que tendo votado antes em outro candidato, votava agora no Presidente eleito, por troca com outro conselheiro que tendo votado anteriormente em Noronha do Nascimento optou agora por um dos outros candidatos ou pela abstenção. Lá vem a tal décima ou décimo de voto a menos. No entanto, estou em crer que a coisa funciona com um homem um voto e que esta lucubração é basto falaciosa.
A segunda hipótese é ser um décimo do número de votos. Mais coisa menos coisa que os votos, ao que dizem os jornais, foram 65. Isto dá 6 ou 7, consoante se queira arredondar para cima ou para baixo. É válida mas aparentemente contrária à asserção de insignificância dada pelo juiz.
A terceira hipótese encalha no mesmo problema da primeira. É que um décimo percentual, ou seja um por mil do número de votos que são, relembro, 65, dá 0,065 votos. Pior um pouco do que uma décima.
Restam duas hipóteses, não mencionadas: a de o juiz estar a ironizar, o que é também plausível, e uma outra que não identifico mas que é fácil de alcançar.
Há qualquer coisa que faz com que me sinta compelido a ir visitar este local.

imagem desta página
*os 11 minutos a mais foram acrescentados pela minha cabeça este ano.

O processo de "recuperação" desta fotografia de uma árvore de folha perene que estava mesmo em frente à janela do meu quarto, remete para as metáforas da memória de que a literatura e a poesia estão cheias.
Sou mais prosaico. Gostava de a recuperar em condições. Até à memória, afinal.

Este jornal, comprado em Londres no início do ano, dava a ideia de que a História teria factos relevantes a curto trecho.
O final desse ano foi alucinante.
A tarde e a noite de 9 de Novembro fizemo-las, eu e um velho companheiro de lutas, entre Barcelona e Paris, com um rádio a pilhas pendurado no espelho de um Renault 5, a ouvir as notícias com imensa interferência, como se deve calcular.
Ainda nos passou pela cabeça virar à direita, mas sem passaportes, seria difícil - impossível - chegar à História.
Na noite de dia 10, São Martinho para quem o comemorasse e com festa na André de Gouveia, onde estávamos aquartelados, foi na Praça do Pigalle que sentimos o espírito da coisa.
O exemplar do "Le Monde" desse dia guardo-o em qualquer lado. Por aí.
Ouvi ao fim da manhã a notícia de que um desabamento de um túnel em construção em Andorra tinha vitimado trabalhadores portugueses.
Imaginei a coisa - uma galeria a ser escavada que por qualquer razão se desmoronou.
Já de noite, depois de ter ouvido várias vezes falar em túnel e de gente encurralada no túnel, vi finalmente imagens da cedência de uma estrutura a céu aberto que estava a ser betonada, ao que parece.
É certo que se incluía, como estrutura anexa, na abertura de um túnel. Mas nada ali se passa dentro de um túnel. É ver as imagens.
Coisa vulgar esta. A de um jornalista não perceber uma imagem que tem à frente.
Pessoas capazes como as que ouço neste momento na SICN:
Henrique Medina Carreira
João Duque
Nuno Crato
Que deviam empurrar o lixo intelectual que por aí anda para o sítio indicado.
É de gente desta que precisamos para ocupar o lugar dos incapazes que nos têm governado, com raras excepções, nas últimas décadas.
Ainda que o tom pessimista de Medina Carreira assuste muita gente. Sucede que diz verdades como punhos.
Se gente desta não se chegar à frente, continuaremos a ter primeiros-ministros que dizem na AR não haver problema porque as perdas do Estado são cobertas pelo... Estado!

imagem adaptada do Google Maps
Andava com o Sporting atravessado na garganta das teclas há demasiado tempo.
Nem sequer a sondagem caça-moedas de há dias me fez rir.
Se há um problema com o relvado de Alvalade, e é claro que há; se há um problema com a desorientação da equipa, e é claro que há; se há, ou havia um problema que se revelava na expressão facial de Paulo Bento na maioria das vezes em que o focavam no banco, e era claro que havia.
Se há tudo isso, sendo claro que era (e será, para mal dos pecados dos sportinguistas) tudo isso verificável, alvitro que a questão é climática.
O centro de altas pressões que se instalou sobre o estádio, matou o relvado à míngua de água, actuou sobre as amígdalas cerebrais dos jogadores, comprimiu os pontos na respectiva tabela e, mais do que tudo, provocou a confusão lexical entre banco e banco. Entre reservas e reservas.
E, pelos vistos, dilatou o tempo. Ouvi falar em quatro meses.
Na minha opinião nada disto é novo. Infelizmente.
São exigidas alterações climáticas. Sem mais delongas.

(com a devida vénia ao escultor Aureliano Aguiar)
A serem verdade os rumores que correm já há dias sobre a prisão preventiva do Pai Natal, quem irá distribuir os presentes nessa noite?
E eis que o homem esperava.
Não que pudesse dizer que à sua frente tinha um corredor vazio. E uma porta para outro mundo lá no fim.
Havia um Eurico mais abatido, menos dono do lugar, acompanhado de sombras.
Como que inversamente proporcional à preocupação do homem, em função de Eurico.
E eis que ela surge, lá do fundo, macilenta e terrivelmente bela, de olhar quase cego.
O homem continuou a esperar.
Eurico II e as suas sombras internaram-se no corredor.
O homem continuou a esperar.
Deu-se conta de que ela estava ao balcão da secretaria. Nas suas costas.
Quis saber-lhe o nome, rever-lhe a face, saber que mal a trazia ali.
Tudo isso soube, enquanto esperava. Uma voz off encarregou-se de tal.
E viu, alarmado*, ela visá-lo numa entrevolta.
Afinal encontrou Juliette no dia aprazado. Longe de festivais de cinema.
Talvez à beira do fim.
*Compreendo o homem. Na minha bitola, Juliette é uma das mais sublimes fêmeas da espécie.
Nota acrescentada em 6 de Novembro, cerca das 10:15:
Confrontado com a leitura do post, o homem fez notar duas coisas:
Apesar de ter ouvido a publicidade ao Festival, ignorava que Juliette fizesse a sua aparição no dia 5.
Durante o tempo em que a cena se desenrolou conservava nas mãos um exemplar de "Viagem para além da morte" (The Fabulous Riverboat, de Philip José Farmer) e logo depois Sam Clemens - ele disse Mark Twain - avistava numa das margens a sua morta-viva-morta querida Livy.
Fez ainda saber que tinha lido aqui o parágrafo em que eu dizia há uns tempos que cada um constrói as coincidências que quer.
As minhas palavras foram outras mas o sentido é esse, de facto.
Diz o Director-Geral da Saúde, pessoa pela qual tenho respeito intelectual, que se conseguiu atrasar a propagação da epidemia e com isso ganhar o tempo suficiente para se ter uma vacina em tempo útil.
Estou ciente de que o papel dele está num plano acima do científico, que é político e de controle da situação.
O mesmo reconheceu o Prof. Alexandre Quintanilha num programa da RTP N para o qual convidou aquele.
Passemos adiante a questão da vacina vir ou não em tempo útil para o comum dos cidadãos, cujo risco de saúde não esteja identificado e que não seja considerado imprescindível lá por um certo critério (contrário ao dos cemitérios cheios de insubstituíveis).
Atentemos portanto apenas na afirmação de que se conseguiu atrasar a propagação.
Para termos um atraso, seja no que fôr, temos que ter antes de tudo um tempo-padrão. Uma referência.
Um comboio atrasa-se face ao horário de todos os dias.
Uma pessoa atrasa-se face ao combinado.
Um relógio atrasa-se face à hora legal.
Ora referência é justamente coisa que não temos.
Como em muitos aspectos da vida, há uma tendência para se pensar que há mais do que uma opção no caminho da vida, como se se pudesse percorrer um em opção, medir as consequências, voltar atrás, percorrer o outro, medir as consequências e comparar (pode ser um mero atraso).
E essa tendência nada tem de científico embora se possa usar em determinados papéis políticos porque de facto funciona como argumento.
É o caso aqui. Faz algum sentido que se digam coisas que confortem o público. Ainda que essas coisas não façam sentido nenhum. Mas isso é coisa de que o público raramente se apercebe.
Não havendo referência, não se sabendo de que forma e com que rapidez se propaga um vírus numa variante só identificada agora, apenas se pode pensar que algumas medidas tomadas, aqui e ali, poderiam em abstracto ter constituído obstáculo à propagação.
Mas quais? E tomadas onde?

O dito. E com ele o acesso a quase todo o software.
Estou assim com serviços mínimos, graças à opção dois discos, dois sistemas. Sendo que o disco de reserva tem muito pouca capacidade.
Naturalmente que o blogue vai sofrer algumas consequências do facto até haver novo disco. Um dia destes.

fotografia tratada

fotografia de Mr. Gaston Smith, correspondente do HGU no Ulster



desenho de Uderzo encontrado aqui.
Em tempos, dizia-se por aqui, vou ver se o Astérix está no sítio. Era uma maneira de se dizer que se ia dar uma volta ao bilhar grande.
Nesse tempo isto era a Gália. E nenhum de nós, nem mesmo ele, tinha 50 anos.

Intriga-me a frequência com que os Gato Fedorento andam a contar piadas nos meus sonhos.
E aborrece-me.
Desta vez, vi-me livre deles numa espécie de sessão de autógrafos numa ampla livraria, livros novos e usados, ali para o jardim da Amadora.
Aproveitei para me raspar a seguir à passagem, por entre a porta e as ilhargas da primeira fila de estantes, de um Opel Rekord modelo de 53, numa repintura em RAL 6019 e antes da disputa entre um Fiat 1800, de 1959, RAL 5024 e uma das minhas aspirações adolescentes, a Peugeot 204 dos meados de 70, no inevitável RAL 7038, disputa travada no encalço do Opel.
Devo dizer, em abono da verdade, que a ser marcada falta, seria à 204 que pretendeu varrer, em carrinha, o 1800. Pode sempre dizer-se que isto sou eu a querer mostrar imparcialidade.
Ou que considero a 204 uma fera capaz de todas as proezas.
Qualquer das duas pode ser verdadeira.
Mas isso é tudo de somenos face ao que se seguiu.
Dei pela falta dos meus amigos J.d’ e P.P.. Procurei, procurei, procurei e nada. Os outros dois inidentificáveis que comigo estavam repetiram o diagnóstico – esvaecimento total e completo de ambos.
Foi bastante mais tarde que soube, da boca dos próprios, a verdade. Ao fundo da livraria havia uma porta dissimulada atrás de uma estante. Por essa porta acedia-se a uma cave, onde decorreu o bródio comemorativo. Estando eles integrados na comitiva...
Esclarecidas as coisas, regressado o P.P. aos seus chaparros, eu e o J.d’ fomos parar a uma camarata onde pernoitávamos, à cautela.
Foi então que ao abrir o armário comum a uma fiada de camas, que não passava de um ficheiro desses de escritório pré-computação, encontrei a minha gaveta cheia do que pareciam ser embalagens de fusíveis de automóvel.
Pensei estar com a gaveta trocada e abri a de cima.
Nela entrevi um saco de plástico transparente com três saboneteiras em kit, para montar.
Uma preta, uma verde e uma assim cor de areia. De areia amarela, como se diz nas obras.
Para não dar parte de ser parte, ou talvez para não escolher a verde face ao meu velho amigo que já diria cansado de ser benfiquista, escolhi a preta.
Ele foi pela amarelenta.
Não sei qual dos dois montou primeiro a respectiva saboneteira.
Saboneteira?
Aquilo era uma bota de borracha, tamanho infantil. E ainda por cima azul. Ultramarino. Ou para aí.
Ocorreu-me muito depois – já acordado - uma relação com o Tahiti duche. Por causa da cor e das rodelas tipo Lego.
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