

Alguém acredita nos jogos europeus?
Em 1993, havia num troço de estrada que ligava a E.N. 264 à via Infante de Sagres (vulgo Via do Infante), uns marcos quilométricos que assinalavam os km 90 e tal do IP1.
Eram marcos curiosos conquanto respeitassem o formato dos do plano de 45, referiam-se a um IP do plano de 85.
Ignoro se ainda lá estão e se foram ou não reciclados.
Já na dita via Infante de Sagres, escassos quilómetros andados, os competentes marcos de lata letra branca em fundo azul de auto-estrada já marcavam os km 300 e tal do IP1. Em cerca de dez quilómetros, tinham afinal sido percorridos mais de duzentos!!! Sendo que nem uma nem outra contagem faziam o mínimo sentido.
Aí, na última vez que lá passei, os marcos referiam-se à A22.
Poder-se-ia falar de muitos outros exemplos semelhantes de desnorte, de incompetência, de burrice.

Este aqui encontrei-o em 1995 num sítio onde seria talvez expectável encontrar o km 20 da E.N. 264, na versão proposta pelo plano de 45 e a uma légua bem medida do local onde afinal está o km 1 da E.N. 264, que acabou por ser construída com um traçado inicial diferente.
Este marco tampouco remonta ao tempo do traçado inicial. Foi lá colocado muito posteriormente.
Acresce que o formato do marco nem sequer é regulamentar. Como se pode perceber pela imagem comparando com qualquer dos marcos quilométricos da weberneta.
É o tipo de coisa que acontece porque sim.
E há demasiados porque sim aqui, ali, no governo do país aos mais diversos níveis. Este é apenas um exemplo caricato.

Há alguns tabus mais ou menos persistentes na vida portuguesa.
Um deles é a ETA.
Com as excepções óbvias do assalto à Embaixada de Espanha, do caso GAL e da controvérsia sobre a extradição de Telletxea Maia, o assunto ETA foi sempre encarado como longínquo.
Até que recentemente, com o episódio dos carros de aluguer, a coisa saiu um bocado das baias em que se encontrava.
Falando de cor, apenas com o cheiro da pólvora, sempre tive a ideia, dir-se-ia uma espécie de ilusão mental, que a ETA apenas usaria o território nacional, vez por outra, como posição recuada, onde teria aqui e ali casas seguras, apenas para abrigo temporário dos seus irregulares.
Nunca me cheirou a tal pólvora. Mesmo que admita que na conturbada fase de 1975 – se a Embaixada de Espanha foi ela própria incendiada! – tenha havido algum tráfego de armas e bagagens.
O quadro geral era, na minha ilusionada ideia, de que as coisas se passariam assim.
Os últimos sinais, desde as histórias dos carros alugados, iam no sentido inverso.
Até ver, confirma-se que havia mesmo uma base. Pelo menos uma.
A minha questão agora é se isto vai alterar em alguma coisa o denso véu que sempre caiu sobre este tema. Como um tabu.
E olhos. E todos ouviram falar de Manoel Vilhena e viram o que fez.

trecho de fotografia de folheto editado pelo Turismo de Malta.
Já estava assim antes da vergonha de jogo no Dragão. Não há relação entre uma coisa e outra.
O Sporting, nestes últimos tempos, tem envergonhado com alguma frequência os seus adeptos. Nem uma sequer glória no futebol para contrabalançar.
Carvalhal disse, e cito de memória, que o Sporting fez uns maus 45 minutos. Não fiquei a saber quais. O certo é que a goleada se anteviu desde cedo. E que em nenhuma altura pareceram as coisas mudar de tom.
A Drª Manuela Ferreira Leite disse, e cito mais uma vez de memória, que o país precisa de estadistas e não de políticos.
Se não se pode ter o dois-em-um, mesmo não fazendo ideia como é que se faz um estadista apolítico, então concordo com a senhora.
Cheira-me, todavia, que o que o país precisa é de gente capaz e não de mediocridades.
A Lei das Finanças Regionais e todo o folclore acessório mostra bem o que seria um país cortado às postas, cada uma delas a puxar as brasas para si.
Mas o problema tem boníssima solução: é convencer os do PSD a aclamarem Alberto João Jardim. Quem não vai gostar disso são os madeirenses, mas pronto.
Acham que ele não ganhava a José Sócrates ou a um eventual substituto deste?
fotografia de Mr. Gaston Smith, correspondente do HGU no Ulster
Ainda mal refeito de um disco falecido, vejo-me com uma placa defunta.
Graças à inigualável prestação fraterna volto a penates.
Espero que sem interrupções por muito tempo.
Apresento as minhas desculpas a quem aqui embalde veio.
Temos um Primeiro-Ministro que acha que os prejuízos do Estado são coisa despicienda pois estão cobertos pelo... Estado!*
O Sr. Paulo Portas (CDS-PP): — Eu não disse isso! Disse «manteve».
O Sr. Primeiro-Ministro: — Manteve o que tinha.
Portanto, o Sr. Deputado acha que aquilo que o Estado deveria fazer era ir a correr levantar o dinheiro para precaver o seu depósito?! Não, Sr. Deputado, o Estado sabe que os seus depósitos estão garantidos tal como estão garantidos todos os depósitos dos portugueses. Não hesitaremos em tomar todas as medidas para garantir esses depósitos.
Aplausos do PS.
O senhor de La Palisse não se lembraria dessa.
É portanto a partir desta premissa maior que se desencadeia o raciocínio. Não estamos mal.

Foram afinal muito poucas as asneiras que se ouviram no debate de ontem.
Tirando um certo desnorte da moderadora (falar em paredes mestras nos dias que correm...) o que se ouviu foram banalidades óbvias e o que se pressentiu foram muitas crispações e disputas de pelouro.
Houve aqui há talvez mais de quinze anos um debate esse sim interessante na RTP.
Nele se percebeu que a avaliação que então se fazia das consequências de termos um sismo com as mesmas características do de 1755, era devastadora.
E era a partir dessa base que se considerava o plano de acção.
Hospitais no chão, pontes intransitáveis, etc. Uma majoração dos danos.
Não é que adiante muito ir além do grande plano, das linhas gerais. Mas ter uma ideia de como agir no pior dos cenários.
É, acima de tudo, preciso saber quem manda. Colocar ordem nas coisas e ter uma imensa capacidade de improvisação.
E, entretanto, aprender as lições.
Vem aí mais uma vaga do “e se fosse cá?”.
Como aqui disse anteontem, as lições que nestes casos se retiram raramente frutificam. E os casos são sempre únicos.
Não obstante, há ali muita coisa para aprender.
O mais importante de tudo, todavia, é a prioridade ao bom-senso, seja lá isso o que fôr.
Força, autoridade, hierarquia de comando, improvisação e impiedade. Isto se a prioridade fôr curar os feridos e salvar as vidas.
Se a prioridade fôr outra qualquer, serão outros os requisitos necessários.
Os grandes planos, nestas ocasiões, à excepção do óbvio bom senso, saem sempre furados.
Estou com alguma curiosidade em medir a quantidade de asneiras por metro quadrado de plateia no programa de amanhã.

Há uma era antes do estilo CNN e da massificação dos satélites.
Antes portanto da vulgarização das imagens ou do seu primado.
Uma coisa que leva 30 anos do zero ao estado actual em que qualquer telefone móvel capta e envia vídeo (ainda estamos na muito baixa resolução) para quase todo o globo terrestre.
Dessa porção de tempo, a lista das grandes catástrofes inclui o Ruanda e o Darfur.
Inclui o maremoto bíblico de 2004, o sepultamento de Armero, a devastação de parte da cidade do México, os terramotos na Arménia, na Turquia, no Irão (dois), o de Kobe. O da China.
Inclui o ciclone na Birmânia e outros mais acontecimentos de menores proporções letais, correndo eu o risco de me esquecer de algum1 2 3.
Os dois primeiros, tratando-se de guerras e talvez pelo número de baixas não ser instantâneo, acabaram por merecer uma divulgação visual muito aquém da sua dimensão.
De todos os outros se obteve uma ideia fotográfica. Cada vez mais diversificada à medida que os anos foram avançando. Com as excepções limitativas da Birmânia e em certa medida do Irão. E com a minha medida subjectiva, por quase metade desse intervalo de tempo haver aqui apenas dois canais e uma empresa de televisão.
Nada ali se compara porém ao que se vê agora. Nem sequer no caso do maremoto de 2004, admitindo-se que em algumas regiões tenha sucedido exactamente o mesmo desnorte e incapacidade de resposta. Não estavam lá as câmaras.
Aqui antevê-se a ausência total e completa de uma resposta organizada. Por agora.
É um retrato que permite medir consequências de uma incapacidade.
Nestas coisas, as lições que se retiram raramente frutificam. E os casos são sempre únicos.
Mas há ali muita coisa para aprender.
1 Dois terramotos na Índia e um no Paquistão.
2 Furacão Mitch.
3 Deslizamentos de terras na Venezuela (estado de Vargas).

É muto provável que tenha sido de proporções devastadoras o que por lá aconteceu.
Esta imagem recorda certas gravuras de Lisboa.

imagem da CNN
Hoje é um dia histórico.
A barragem de Alqueva atingiu a cota máxima (152 m) cerca das 16:00.
Afinal, os 75 anos reduziram-se a 8.
Um erro grosseiro esse que dava tal prazo para o enchimento da albufeira.

Os Cro Magnons que andaram a pintar em Fátima tinham deficit topológico mental. Ou o.
E, de repente, ali estava eu a mostrar a Fanny Ardant (sim, vi-a na Revista do Expresso esta semana) a série de fotos – dez de cada – que o mesmo jornal publicara de mulheres e borboletas cujo perfil se assemelhava.
A nº8! Repara bem na assombrosa semelhança da nº8 com a respectiva borboleta! – não sei se ela reparou bem.
A coisa era patrocinada por uma associação qualquer de coleccionadores de borboletas.





imagem da Imdb
Uma história e um filme perfeitamente desconhecidos que me colaram ontem ao écran.
Não é o meu tipo de filme. Mas fiquei ali pregado até ao fim.

fotografia de Mr. Gaston Smith, correspondente do HGU no Ulster
Para quem associou desde muito cedo as expressões “recolher obrigatório” e “estado de emergência” à Irlanda do Norte, parece talvez improvável um “adeus às armas”.
Quando o que está em causa é um território em disputa.
Isto a propósito de mais uma notícia no sentido da paz e desta fotografia recebida há dias.
A notícia é uma entre tantas. Das quais uma boa porção nada significou.
O território...
Convinha talvez fazer um aditamento às convenções numéricas – cardinais e ordinais – para que uma década, um século, um milénio acabem quando o estado de espírito o decidir e não segundo a contagem que o Homem inventou sabe-se lá quando e segundo as regras da base 10 que terá provindo do número de dedos das mãos.
Sobre isto, já tinha escrito há um certo tempo.

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