Segunda-feira, 18 de Julho de 2005
A mediocridade
Ao olhar para a forma como são feitas no Google as pesquisas que aqui caem, a primeira coisa que salta à vista é a incapacidade da esmagadora maioria dos utilizadores de entenderem a forma como funciona o Google, em termos macroscópicos.
Ora o Google dá a esses ainda assim a possibilidade de encontrarem o que precisam. Não se trata de nenhum milagre. Trata-se da contínua adaptação da informática ao utilizador comum.
Desde o tempo em que andávamos, os da minha geração, às voltas com cartões perfurados até aos dias de hoje, que todos os dias se senta mais gente frente a um teclado, sem ter grande noção do que está a fazer.
Ora isso é de certa forma uma imagem da sociedade actual.
A adaptação ao utilizador comum. A distribuição às massas de algum tipo de conhecimento. A forma como se conduz um automóvel, como se tira partido de uma máquina de calcular, até como se deve pensar. O nivelamento por baixo, muito por baixo.
A quantidade de utilizadores comuns é de tal forma elevada que esmagou alguma possibilidade de elevação na informação, na comunicação. Tem que se descer baixinho porque a massa não entende.
Basta ler, basta ouvir, e a ideia com que se fica é que o nível do debate está lá rasteiro. O nível da escolha rasteiro está - discutem-se animadamente os mais rotundos disparates, o erro dentro do erro. O nível da argumentação igual anda - basta ver as construções lógicas que por aí circulam e que, de resto mostram logo que a mais simples lógica (que seja a da batata) é campo fora do alcance da maioria dos opinadores, dos analistas.
Tal como diz o Google. Não fazem a menor ideia de como o utilizar, apenas porque não têm a menor noção da tal lógica da batata.
Mas o Google ajuda-os. É desse ruído de fundo, das ajudas redundantes aos incapazes e da sua reverberação que se faz o ambiente hoje em dia. De mediocridade. Claro.
Alastrando, alastrando.


por MCV às 12:06
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4 comentários:
De Anónimo a 19 de Julho de 2005 às 10:44
Pois... :( É aquilo que nos damos conta. Abraço
Manuel
</a>
(mailto:gasolim@hotmail.com)


De Anónimo a 19 de Julho de 2005 às 05:18
Cartões perfurados, assemblers, fortrans, sistemas operacionais: como mecânicos conhecendo máquinas e delas sabendo o que tirar. Não é pessimismo não, Manuel. O mínimo esforço e a complacência estão traçando os rumos...Abrs.OrdisiRaluz
(http://ordisiraluz.zip.net)
(mailto:ordisi@uol.com.br)


De Anónimo a 18 de Julho de 2005 às 14:50
Estaremos a ser demasiado pessimistas? Não sei.
Abraço
Manuel
</a>
(mailto:gasolim@hotmail.com)


De Anónimo a 18 de Julho de 2005 às 13:27
A 'cultura de massas' é um paradoxo. Ou é cultura ou é de massas. As duas em simultâneo é uma medíocre ilusão.
Enquanto estive de férias ia comprando diariamente o jornal. Acredite que era meramente um prazer do ritual: da compra, do folhear na esplanada com a bica... O conteúdo? O meu amigo já diz tudo! Cumpts.Bic Laranja
(http:\\biclaranja.blogs.sapo.pt)
(mailto:biclaranja@sapo.pt)


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