Sábado, 2 de Julho de 2005
A contaminação
Não sei se existe uma pudicícia da escrita pública.
Não sei se se entende que é melhor não fugir dos cânones quando a exposição é grande.
Não sei se é assim.
Não sei sequer se tal resulta de uma onda de regrismo que não se sabe bem a que costa vai dar.
Ou se advém de uma contaminação que a corrente amorfa e dominante trouxe às franjas marginais.
A verdade é que constato a cada vez mais rara ousadia de dizer coisas que colidam com a normalidade. Até de dizer coisas verdadeiramente interessantes.
Apesar daquela normalidade ser aparente. Ilusória.
Lembro-me do homem que dizia à mulher:
"Não argumentes comigo como se foras primeiro-ministro!"
E estou com ele. Ainda que muitos anos tenham passado.


por MCV às 01:11
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