Sábado, 25 de Junho de 2005
Parece chumbo
O estranho hoje foi terem desatado a aparecer colegas de escola.
Confesso que quando perguntei ao Mariano se ele ainda me conhecia, o que eu queria dizer é que dele já só me lembrava em sonhos.
Mas apareceram vários. Aos últimos, até enumerei as presenças anteriores.
É certo que fiquei convencido de que eles apareciam lá na sala de jantar sem saberem bem de quem era a casa. Mas também não se espantavam muito quando eu os interpelava.
Depois lá fiz de cicerone.
Mostrei a casa e inevitavelmente as minhas recentes descobertas. Esta magnífica porta nunca se tinha dado por ela, que eu me lembre. Toda esta zona do quintal estava aterrada e não se sabia que existia esta espécie de caramanchão.
Mesmo este trabalho em pedra, neo-manuelino, estava como que entaipado e só demos por ele há pouco tempo.
Saímos pela rua e mostrei então as atrocidades que os novos proprietários acabavam de erigir.
Quase sempre dando notícia do que era a anterior situação. Aqui era muro, ali havia árvores de fruto, até ali ao fundo onde estão aquelas marcas de uma empena na falésia (ou será um muro de suporte?) ainda era nosso.
Depois, olhei para trás e reparei que já me estava a esticar. A esticar os domínios. Afinal era lá atrás que era o sesmo.
Voltámos pela ponta da vila. Cumprimentei umas caras estranhas em portas conhecidas. Depois, ali na zona em que surge, à esquerda, a rua que tem os tais cafés afamados, saiu-me um homem ao caminho, com um ar misto de determinação e de quem-não-quer-a-coisa.
Queria saber se a cortiça tinha dado.
Quando voltámos a casa, fomos encostar-nos à janela grande que tem as tais pilastras neo-manuelinas.
Olhei mais de perto e pareceram-me de chumbo feitas. Ainda mais e já era uma espécie de filigrana em alumínio.
Disfarcei.


por MCV às 05:35
endereço

2 comentários:
De Anónimo a 26 de Junho de 2005 às 20:55
Isso dava para uma bela discussão sobre a velocidade e até os percursos das nossas naves.
A sua, eu sei, é alada. Já a minha é de quatro rodas. :)
Abraço
Manuel
</a>
(mailto:gasolim@hotmail.com)


De Anónimo a 26 de Junho de 2005 às 20:13
Estranho, Manuel, quando a mim começaram a aparecer colegas de escola, notei que o único que não tinha envelhecido era eu. Interessante, muito interessante esse fenômeno. Abrs.OrdisiRaluz
(http://ordisiraluz.zip.net)
(mailto:ordisi@uol.com.br)


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