Quinta-feira, 23 de Junho de 2005
H2O
Recordo-me das conversas sobre os convénios ibéricos da água.
E da história da barragem de Gabcikovo-Nagymaros.
Recordo-me de disputas a outra escala, resolvidas a tiro de caçadeira.
Recordo-me ainda de ouvir, há décadas, os argumentos dos que profetizavam as guerras da água.
Guerras da água sempre houve. Talvez tenham nascido com a vida, tal como a entendemos.
A imagem abaixo, que todos conhecemos e temos em memória, parece mostrar uma espécie de queimadura peritropical.
Sabemos ou julgamos saber que algumas destas regiões foram há milénios mais férteis. Há sinais disso.
Trata-se de uma evolução que independe da humanização do planeta, pelo menos na escala a que hoje suspeitamos que estamos a interferir.
Saber como evoluirá a mancha amarela não parece fácil. Desconfio sempre da extrapolação de um troço mínimo de uma curva para explicar uma função.
Mas suponhamos que ela alastra. Como se vê, estamos na zona de transição.
A agravar-se a falta de água, é lirismo puro contar com a água que vem de Espanha. Em última análise, será até lirismo contar com a água que cai sobre o rectângulo.
A suceder tal, sobreviveremos aqui num formato semelhante ao dos países de deserto feitos.
E teremos que ir buscar a água onde ela ainda abunda, ao vizinho do lado. E não será a Espanha.
Ou então, fazemos as malas.
O meu caseiro desenganava-me, um destes dias, enquanto contemplávamos magníficas sobreiras quebradas à seca e especulávamos sobre a sua capacidade de regeneração:
"Parece que é lá para 2012 que isto fica um deserto."
Fiquei sem saber de onde lhe vinha a profecia. Se da atávica interpretação dos sinais se de outro lado qualquer.



imagem em http://geoimages.berkeley.edu/wwp304/map/index.html

P.S. Obrigado pela dica.


por MCV às 21:06
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