Quinta-feira, 19 de Maio de 2005
Estância de ski
Devia ser um carro semelhante ao Austin FX4.
O espaço era amplo e o meu companheiro da esquerda insistia em perturbar-me a viagem com as palhaçadas com que divertia os outros dois.
Deviamos na certa ter partilhado o táxi.
Eles e eu.
Ainda tive tempo para ver a paisagem. Depois de uma planície fria e desolada, o carro virou à direita, quando apareceu um grande rio na nossa frente. Grandes pedaços de gelo indicavam o final do inverno.
Demorei-me a observar as placas brancas a deslizar rio abaixo, no sentido da nossa deslocação, agora que seguíamos o rio pela margem direita.
E, ao fundo, lá estava a ponte. Treliçada.
Não demorou muito até que a atravessássemos.
No seu enfiamento, surgia agora um viaduto em madeira com elevada inclinação. Quase parecia uma daquelas rampas de ski.
O autocarro - agora íamos num - subia lentamente e a custo. A certa altura, entrou-se na estância de ski. Do meu lado, do lado direito, via uma espécie de restaurante.
Numa das primeiras mesas, duas mulheres.
Uma delas era... Falavam português, sim. Era ela.
Saltei de imediato pela janela. Aqui a janela do autocarro e a janela de madeira do salão pareciam coincidir. De forma que aterrei logo junto a uma mesa.
Os meus companheiros seguiram-me.
Corri para a ponta da sala mas já não a vi. A mesa estava vazia.
Corri então para um vestíbulo de onde saía um longa escadaria de madeira. Distingui as pernas dela, lá ao cimo, já se perdendo numa escuridão que envolvia o andar superior.
Nessa altura fui barrado.
Escapei-me e fui dar a uma casa de banho cuja janela comunicava com um pequeno pátio.
Por aí saltei, voltando a entrar pela porta.
Mas nada da mulher misteriosa.
Apercebo-me entretanto de que já não tinha roupa.
Fugi de novo para a mesma casa de banho, enquanto me sentia perseguido pelo pessoal de serviço.
Voltei a sair pela janela e encontrei os meus três companheiros debaixo de uma pérgola bem composta de flores, depois de ter trocado umas palavras com um homem que se debatia para acender um grelhador.
Eram agora todos eles velhos amigos.
Emprestaram-me roupa, enquanto eu lhes jurava que havia de recuperar a minha e uma pálida ideia de mala de viagem me atravessava o cérebro.
Ocorreu-me então que os três eram ajudantes de agrimensor.

Nota: esta história estava no limbo desde Outubro de 2004. Uma destas noites, enquanto vasculhava o Google em busca de fotos de pontes treliçadas, de rios gelados, a imagem que passava na janela ao lado (SIC Notícias) era esta:



por MCV às 20:19
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4 comentários:
De Anónimo a 21 de Maio de 2005 às 11:25
Há uma coisa aí na Finlândia, da qual já aqui dei nota, e que me deixa encantado - é a qualidade fotográfica das imagens de tráfego. Nelas já pude assistir ao sol da meia-noite. Deve haver outras coisas interessantes :) Um dia irei espreitá-las. Abraço
Manuel
</a>
(mailto:gasolim@hotmail.com)


De Anónimo a 21 de Maio de 2005 às 11:10
Passou-me de todo ao lado este ano, desde 16 ou 17 deste mês que o sol não nasce lá para cima, talvez em tornio ainda demore uns dias. Sol à meia noite para poder ver os lagos ainda gelados e as neves que ainda permanecem:)homemDASneves
(http://fennia.blogs.sapo.pt)
(mailto:fennia@fenn.pt)


De Anónimo a 21 de Maio de 2005 às 05:19
Por que não? Até avistar-me com o Pai Natal... ;) E sim, ver todas as luzes do Norte. Essas que embalam a meia-noite oficial e as que marcam as rotas, entre azuis e vermelhos.
Beijo
Manuel
</a>
(mailto:gasolim@hotmail.com)


De Anónimo a 20 de Maio de 2005 às 18:18

A propósito de férias, porque não experimentar algo de diferente, como por exemplo ver as 'Northern Lights' ou 'Reindeer Safaris' ;-) Beijão.riacho
(http://alfa-e-omega.blogspot.com)
(mailto:riacho@gmail.com)


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