Sexta-feira, 11 de Março de 2005
Too many Murphys
Ou talvez não.
Não me parece que a frase do capitão Murphy, tão semelhante às que ouvimos diariamente nas mais diversas actividades, tenha, tivesse tido, a força suficiente para explicar o clima actual.
Precisamos de facto de uma lei nova. De uma frase interrogativa sobre o que poderá correr bem.
E alguma coisa correrá bem.
Serei como muitos um pessimista reflexivo mas um optimista emocional. Quem carrega uma nuvem negra sobre a cabeça deve sofrer à farta com isso. Mas talvez nada possa fazer para o evitar.
A questão é que, para onde quer que seja que nos voltemos, só ouvimos profetas da desgraça.
Seja no ambiente, seja na paz, seja na segurança, seja na economia, as vozes só nos traçam cenários negros.
Há muitos anos, a minha conversa era semelhante. Mas não fazia disso uma missão evangélica. Só quando me obrigavam a dar opinião, lá expunha o que pensava serem os anos que viriam. Devo dizer que acertei em muitas coisas. Não que disponha de excepcionais qualidades divinatórias. Limitei-me a observar os sinais. São os sinais que me interessam sempre. Interessa-me ouvir os outros mais para perceber os grandes números do que uma opinião em concreto.
Talvez que a questão da nossa sociedade, da nossa civilização, seja ter atingido um patamar de conforto que não lhe abre grandes perspectivas de melhoria.
O facto de não haver grandes desafios para completar pode conduzir a esta apatia insatisfeita e maldisposta.
Precisávamos de qualquer coisa que nos levasse a agir com voluntarismo. Uma saga. Uma descoberta qualquer. O que se perfila, no entanto, é que seja mais uma vez uma grande desgraça a abrir as portas do empenhamento e a fazer-nos arregaçar as mangas, sem sorriso mas com vontade.


por MCV às 14:11
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6 comentários:
De Anónimo a 13 de Março de 2005 às 06:45
A demanda aí anda. "Procura-se planeta com água, temperaturas amenas, baixa radiação, com atmosfera compatível com a vida humana. Pagamento à vista." Já agora que tenha boas vistas, piscina e barba-e-cú. E a menos de 5 minutos da auto-estrada, claro. :)
Beijo.
Manuel
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(mailto:gasolim@hotmail.com)


De Anónimo a 13 de Março de 2005 às 06:07
Impossível de responder, claro. Tem graça que ainda ontem vi um programa que focava (mais) uma descoberta de um planeta num sistema solar muito equiparado ao nosso. Não me recordo exactamente se este é o nome que lhe deram (o sono já era bastante :-) ), mas ficou-me este na memória: Star 45 in Ursa Major. Bom domingo :-)riacho
(http://alfa-e-omega.blogspot.com)
(mailto:riacho@gmail.com)


De Anónimo a 12 de Março de 2005 às 07:46
Inclino-me hoje para que a saga seja a da passagem de parte da espécie humana para novo poiso. Isso enquanto a pressão demográfica atinge valores insuportáveis. A válvula de escape poderá estar aí. Os sinais apontam para o início dessa procura de uma Terra Nova. Se entretanto uma praga qualquer não nos devolver à insignificância. Não veremos, porque esse tempo será dos que vierem depois de nós.
Há uma pergunta (há muitas até, se não todas) cuja resposta não está ao alcance nem sequer do que se julgar o último homem do Universo: "Este momento está em que lugar da escala temporal que representa a presença humana - perto do fim, lá para o meio ou muito no início?"
Beijo
Manuel
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(mailto:gasolim@hotmail.com)


De Anónimo a 12 de Março de 2005 às 06:22
Já houve alguém que disse que ao observarmos o todo, obtemos muito mais do que a soma de todas as partes e isso aplica-se ao tema que tu tão bem soubeste explanar. Os sinais são perceptíveis para quem se demore neles e tudo indica que vai ser de rosto pesado que se vão dar as mãos (infelizmente). Falta-nos mesmo uma façanha comum; engolfar a emoção no mesmo funil. Um bom fim-de-semana para ti :-)riacho
(http://alfa-e-omega.blogspot.com)
(mailto:riacho@gmail.com)


De Anónimo a 11 de Março de 2005 às 16:12
O que me parece é que para isso aconteça, é preciso qualquer revés de grandes dimensões.
Vemos que há disponibilidade para ajudar sempre que algo de terrível acontece, isso é certo. O problema é mobilizar essa e outras vontades, como a de organizar, trabalhar, etc. em "tempo de paz". Um abraço.Manuel
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(mailto:gasolim@hotmail.com)


De Anónimo a 11 de Março de 2005 às 15:37
Talvez se devesse começar por ajudar aqueles que mais precisam. Se as pessoas perdessem menos tempo a olhar para os seus umbigos materialistas e se preocupassem um bocadinho mais com o que se passa com os outros talvez chegassem à conclusão que ainda temos muitos desafios pela frente. Um abraço.Bekx
(http://www.ejetamos.blogspot.com)
(mailto:ejetamos@netcabo.pt)


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