Terça-feira, 22 de Fevereiro de 2005
Sound bites
Ou até fragmentos de filmagem.
Vi há pouco a maldade que algum realizador de televisão fez aos líderes políticos que se dirigiam ao pano de fundo azul, com a rosa-dos-ventos da defesa atlântica, para se deixarem fotografar apertando a mão.
O cliché é velho, muito velho. Não é só desde que há fotografia, desde que há cinema, que os homens se dispõem a esta pose.
Já o faziam quando se apresentavam em público encenando actos. Já o faziam quando se pretendiam imortalizar na ponta de um pincel.
O problema do mundo actual é a banalização. A banalização de todas as coisas.
O fingimento é mais do que banal. Nas imagens, nas palavras. Seja nas populares fotos de um casamento num jardim qualquer, seja no boletim de voto supostamente VIP que fica dois minutos suspenso da ponta dos dedos à espera dos flashes.
Estamos todos fartos disso.
Das declarações de fugida quando o microfone cria a vertigem da palavra. Da oportunidade dos anónimos mostrarem a cara ao mundo.
Mas serve para quê esta encenação?
Para os arquivos encenados da história? Como o célebre e controverso beijo da mulher e do soldado? Não sei.
O que sei é que fazem falta alguns mais como o famoso engenheiro que disse para as câmaras, para os microfones:
"Agora não posso. Tenho que ir mijar!"

Nota: Não era soldado o homem do beijo de Doisneau. A minha memória juntou duas fotos. Uma da libertação de Paris e a do beijo de Doisneau. Baralhações da velhice.


por MCV às 21:17
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2 comentários:
De Anónimo a 23 de Fevereiro de 2005 às 08:18
Bem, a imagem que baralhei com a do beijo de Doisneau é uma com um soldado americano a beijar ou a ser beijado por uma francesa, conforme se queira - e não consigo descobrir que imagem é, quero dizer de onde veio.
Quanto ao engenheiro, foi o Prof. Edgar Cardoso, certa vez que o queriam embrulhar numa trapalhada sobre a data de inauguração da ponte de São João no Porto. Ele desenvencilhou-se assim.
Um beijo
Manuel
</a>
(mailto:gasolim@hotmail.com)


De Anónimo a 23 de Fevereiro de 2005 às 03:03
É teatro rasca mesmo. Mas quem foi esse "famoso engenheiro" com a bexiga a arrebentar? :-)
(talvez tenhas confundido as fotos, pelo facto de Doisneau ter participado na Resistência :-p)riacho
(http://alfa-e-omega.blogspot.com)
(mailto:riacho@gmail.com)


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