Segunda-feira, 14 de Fevereiro de 2005
A visão particular
Sendo que a individualidade é um mistério, algumas questões se me levantam ao atentar sobre a visão que cada um terá das coisas.
Muita coisa escrita há sobre o assunto. Mas não é da visão dos outros sobre a visão de cada um que se trata. É da minha.
Haverá uma altura da vida em que se completa e se fecha a visão que temos das coisas?
Em que tudo o que aprendemos posteriormente apenas entra como um tomada de conhecimento, que nada modifica o plano geral?
Ou, pelo contrário, existirão verdadeiras conversões?
Ora este ponto é sempre controverso. Uma conversão, a existir, pode ser sempre entendida como uma evolução anterior à fixação do olhar.
Admito que a maioria das pessoas congele uma visão do mundo a partir de determinada altura, enquadrando nela todos os conhecimentos posteriores.
Admito que isso acontece independentemente da amplitude dos conhecimentos adquiridos.
Admito entretanto que haja também uma constante interpelação, seja nos crentes seja nos agnósticos e ateus, entre o discurso racional que é o único onde nos fazemos entender e as certezas ou incertezas da fé, no caso dos primeiros, e a imperfeição da razão, no caso dos últimos.
Mas mesmo com essa interpelação, suponho que há um apelo do hábito que nos leva sempre a observar e a julgar as coisas da mesma forma, a partir de certa altura da vida. Mesmo que nos lancemos nas profundezas do abismo em busca da verdade. Verdade da qual julgamos conhecer os contornos mas não o cerne.


por MCV às 13:16
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4 comentários:
De Anónimo a 16 de Fevereiro de 2005 às 08:55
Então, bom retiro. Um beijo.
Manuel
</a>
(mailto:gasolim@hotmail.com)


De Anónimo a 16 de Fevereiro de 2005 às 05:22
É o cansaço, talvez. O fartarmo-nos de levar com o vento na cara, talvez. É o interruptor que se vai desligando aos poucos, diminuindo a potencia de luz (de cada um de nós), talvez seja isso. Vou desaparecer por uns tempos. Até lá, continua nesses mergulhos :-) eu vou tentar passar de vez em quando. Um beijo amigo.riacho
(http://alfa-e-omega.blogspot.com)
(mailto:riacho@gmail.com)


De Anónimo a 15 de Fevereiro de 2005 às 07:34
Huuuum... Usei hábito para lhe dar o sentido de algo que fazemos da forma a que nos moldámos. Da mesma maneira que pegamos numa chávena ou apertamos a mão.
É que depois de fixarmos uma visão das coisas, fica esse hábito. Suponho que fica.
A palavra coerência, em se tratando de homens, da espécie humana, parece que só tem um conceito paralelo que a justifica: a sobrevivência.
Só somos coerentes na nossa própria sobrevivência.
A proximidade da morte parece poder de facto alterar algo aqui. Mais uma vez vejo a ligação entre coerência e sobrevivência.
Um abraço
Manuel
</a>
(mailto:gasolim@hotmail.com)


De Anónimo a 14 de Fevereiro de 2005 às 21:21
O apelo do hábito?! Talvez, em alguns casos. Noutros, será mais apelo da coerência. Mas há situações que podem fazer pender a balança para o outro lado: a proximidade da morte ou do sofrimento, próprios ou alheios.Laurindinha
(http://abrigodepastora.blogspot.com)
(mailto:....@....)


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