Quinta-feira, 10 de Fevereiro de 2005
Telefone 18
Os menos novos lembram-se desses tempos.
Quando os telefones se resumiam a um ou dois algarismos. Quando era preciso dar à manivela até que do outro lado atendia uma voz mais ou menos conhecida. Ligue-me a tal sitio, Dona Ermelinda, se faz favor.
Pois bem, não sou saudosista a esse ponto. Esta coisa dos telélés faz um jeitão. Mas sou daqueles egoístas, confesso. Ando com ele desligado no bolso. Para usar só em caso de necessidade.
Tempos houve em que assim não era. Em que também era incomodado e incomodava a toda a hora os que comigo trabalhavam ou com quem mantinha relações de trabalho. A chamada agitação do dia-a-dia. É preciso isto, venha cá ver o que se fez, pode encomendar mais material, o que é que aconteceu ao Zé? Era assim, do nascer ao pôr do sol. Sete dias por semana, às vezes.
Mas agora não.
Hoje, manhãzinha cedo, ouvi algo que não ouvia há muito. Algo que se vai perdendo na urbanidade dos telefonemas do carro para casa e de casa para o carro, de vizinha para vizinha, do café para o comboio.
Alguém chamava alguém. Ó Ritinha! Ó Ritinha! Tásmaovir? Ó Ritinha! Ó Ritinha! Tásmaovir? - exactamente neste ritmo, duas chamadas, uma interrogação, duas chamadas, uma interrogação. Consecutivamente.
Era, suponho, de janela a janela. Não confirmei. Limitei-me a absorver os sons. Que me transportaram para a época em que no bico do cêrro, sobranceiro à vila, escutava os sons de fim de tarde enquanto disparava a máquina fotográfica.
Galinhas, vacas, porcos, motorizadas, chocalhos e gritos. Ó Jaquiiiiiiiiiiiim - era a hora de ele voltar da taberna. Já lá vooooooooooooooooooooou - respondia o dito, lá do fundo.


por MCV às 15:16
endereço

2 comentários:
De Anónimo a 11 de Fevereiro de 2005 às 10:56
C'est la vie! :)Manuel
</a>
(mailto:gasolim@hotmail.com)


De Anónimo a 10 de Fevereiro de 2005 às 20:36
:-) fizeste-me sorrir de saudade. (há algo que se perde com o avanço da tecnologia)riacho
(http://alfa-e-omega.blogspot.com)
(mailto:riacho@gmail.com)


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