Segunda-feira, 3 de Janeiro de 2005
Memória e TV
Já não é a primeira vez que falo nisto.
Que a memória colectiva se modificou. Se considerarmos um referencial reduzido espaço-tempo a duas dimensões, em que o eixo dos xx se refere à distância a que os factos ocorrem do observador e o eixo dos yy se refere ao tempo decorrido entre as ocorrências e a constatação da memória, teríamos provavelmente gráficos do tipo:



Partindo do princípio de que a memória não é elástica ao ponto de poder abranger uma quantidade de factos a tender para infinito, bem ao contrário do tradicional "Saber não ocupa lugar", como de resto nos apercebemos cada vez mais quando confrontados com as capacidades de armazenamento das nossas maquinetas (espaço no sentido dimensional é outra história...), partindo desse princípio, parece justo admitir que quanto mais se alargam os horizontes de observação, mais se encolhe a memória temporal.
Entre os mais velhos, por motivos óbvios, mas entre aqueles que se encontram menos permeáveis à informação em catadupa, encontram-se memórias locais com notável acuidade.
A televisão, provavelmente pela importância das imagens, da componente fotográfica da memória, proporcionou e proporciona cada dia mais, uma quantidade de informação em excesso, que não podendo ser armazenada em "gavetas vazias", tenderá a ocupar o lugar de outra, mais antiga.
Assim, constatamos sem grande surpresa que, na maioria dos casos, factos ocorridos na vida de muitos de nós e amplamente noticiados, já só restam na memória de poucos.
O que nos coloca perante um desafio de aprendizagem. Colectivo. Se antes era dos horizontes que se tratava, muita gente não conseguindo enxergar para além dos montes que a rodeavam, com as consequentes deficiências na instrução e educação, hoje trata-se de horizontes quase universais, à escala do nosso conhecimento, mas pouco profundos no tempo, com a consequente deficiência na compreensão da relação entre os acontecimentos e as suas causas, da forma como as coisas se sucedem.
Provavelmente, é um problema que não exige solução. Que se modificará com o tempo. A espécie humana evolui, apesar de muitas vezes se ter a ideia contrária.


por MCV às 16:14
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