Segunda-feira, 13 de Dezembro de 2004
O sismo das 14:18*
Não sei quantos sismos já senti. Já lhes perdi a conta. A este senti-o bem.
E como das outras vezes, a mesma sensação de impotência.
Talvez que um sismo com maior duração permita algum tipo de reacção. O de Fevereiro de 1969 durou o bastante para isso. Mas como acordei mais com o ruído de janelas a bater do que com a vibração, só percebi que não era vento quando já tudo acalmara.
Foi nessa altura que pude ver, pela primeira vez e única até hoje, ao vivo, a destruição associada a estes fenómenos.
Poucos dias depois, passava por Bensafrim e recordo-me da quantidade de casas que estavam parcialmente derruídas. Terei ampliado em demasia os estragos? Com aqueles olhos infantis que tudo sobreavaliam? Não sei. A verdade é que nunca me entreguei a essa pesquisa. A julgar pela forma como foram tratadas as inundações de 1967 na imprensa e a forte controvérsia que sempre existiu sobre o seu balanço final, é provável que também não chegasse a nenhuma conclusão.
Mas é nestas alturas que sobreleva a impotência dos homens.
No nosso caso particular, não é a só a impotência. É também uma certa ignorância dos riscos.
A verdade é que todos sabemos que vivemos numa zona de alto risco. Mas ao mesmo tempo, a Natureza tem-nos poupado. Por alguma razão que desconhecemos, há muito que não nos confrontamos com um terramoto de grandes dimensões. Coisa relativamente comum em séculos anteriores. Toda essa ignorância, esse alheamento, tem conduzido a um descaso nada próprio de zonas de risco sísmico.
Pode dizer-se, sem grande risco de erro, que quando acontecer, terá graves consequências. Só os crédulos pensarão que grande parte das estruturas onde nos amontoamos, resistirão sem danos maiores a um abalo mais forte.
Uma das curiosidades destas alturas é, como não podia deixar de ser, o chorrilho de disparates difundido.
Desde a não confirmação oficial (?) até às tentativas de lançar o pânico, através de insistentes e capciosas perguntas a especialistas, tudo se ouve.
O bom senso, qué dele?

*no meu relógio



imagem do IM


por MCV às 16:17
endereço

2 comentários:
De Anónimo a 13 de Dezembro de 2004 às 21:25
Premonição ou sensibilidade extrema?
Na rua, é difícil dar-se por estas coisas quando não são, felizmente, muito fortes.
O Marquês fez. Veremos se alguém não desfez.
Um abraço
Manuel
</a>
(mailto:gasolim@hotmail.com)


De Anónimo a 13 de Dezembro de 2004 às 18:18
Eu bem senti uma tremideira esta noite. Pensei que fosse um tremor de terra. Ou foi um pressentimento, ou esta noite também aconteceu qualquer coisa. Quanto ao desta tarde... vá-se lá saber, não dei por nada... e estava ma Baixa. É caso para dizer que o Senhor Marquês de Pombal fez 1 bom trabalho...
um abraço
G.gatodeLisboa
</a>
(mailto:gatodelx@hotmail.com)


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