Sexta-feira, 10 de Dezembro de 2004
Talvez seja novidade
Talvez seja novidade. De entre as tantas coisas que se apregoam como novas e que de novas nada têm.
Mas esta talvez o seja. Mas não é uma novidade muito nova. Simplesmente a cada dia se nota mais.
Até há duzentos anos atrás, na nossa civilização, as vozes e os ouvidos eram pertença de muito poucos.
A alfabetização, a imprensa, a rádio e a televisão contribuíram para o que número de vozes e de ouvidos se alargasse. A proporção é hoje muito diferente.
Parece óbvio que falar para um número reduzido de ouvidos, mais ou menos habituados a isso, é muito diferente de falar para uma massa, pouco habituada a falar e a ouvir.
O nível da argumentação baixou. O nível dos objectos dessa preocupação baixou - a quantidade de pessoas que argumenta sobre se uma bola entrou ou não, é impressionante.
Não me preocupa tanto o facto de haver muita gente a discutir futebol. Suponho que até é útil que assim seja. Mais me preocupa que o nível geral da argumentação tenha baixado para níveis quase risíveis. Que o facto de ter tantos ouvidos à escuta, conduza os argumentos para o arrazoado infantil. E que sobre esse tipo de argumentação se construam depois as réplicas e as tréplicas.
Talvez que as outras vozes falem entre si. Ao ouvido.
Mas fazem falta. Assim haja também ouvidos capazes de perceber o que dizem.


por MCV às 23:02
endereço

2 comentários:
De Anónimo a 11 de Dezembro de 2004 às 12:28
Obrigado pelas palavras. Por estas e pelas que nos deixa lá no Abrigo. Mas não creio que a minha seja uma dessas vozes.
Um abraço
Manuel
</a>
(mailto:gasolim@hotmail.com)


De Anónimo a 11 de Dezembro de 2004 às 07:10
Continue a falar-nos ao ouvido. Faz falta.Laurindinha
</a>
(mailto:....@....)


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