Quarta-feira, 8 de Dezembro de 2004
Outras vidas
Sou um rústico em muitas coisas. Urbanidade alguma, q.b..
De entre as características que me entraram nos genes ou que absorvi do habitat, há este fascínio pelas árvores, embora pouco ilustrado.
As saudades que sinto de dada oliveira, multicentenária na certa, que um dia soube cortada por ameaça à estabilidade de uma construção. Por mim, teria estabelecido um compromisso entre as casas, também mais do que centenárias, e a árvore. Talvez sem sucesso. Pouco importa agora, que nem umas nem outra se encontram de pé.
Saudades de certa romãzeira, que morreu de morte natural. De um pomar inteiro que soçobrou ao abandono. Lá estão as figueiras da orla como testemunhas resistentes de outros tempos.
Saudades de árvores das quais não sei o destino. O meu limoeiro, a minha nogueira, as nespereiras, as ameixeiras, as figueiras também. Desse quintal que suponho ainda existe.
Mas há uma árvore que hoje merece o meu afecto. Não é muito velha, não pode ser. É um eucalipto solitário, no meio dos sobreiros. Talvez que se interrogue o que está ali a fazer, a olhar de cima o pachorrento montado, cada vez mais de cima.
Está perto da casa. Se um dia um golpe de nortada o atirar ao chão, é certo que derruba a tenda. Espero não chegar ao ponto de ter que lhe dar um destino. Não sei nada destas árvores. Lembro-me daquele que havia (ainda lá estará?) junto à antiga E.N. 261-3, entre Santiago e Sines e que era de um porte impressionante. O meu para lá caminha. Vê-se ao longe, de muito sítio. Espero que lá fique, quando eu me fôr embora.
É curioso que não consiga encontrar informação sobre o tempo de vida desta espécie. Tudo o que se encontra é informação sobre as idades de corte, espécie de crescimento rápido, blá, blá, blá...
Ainda assim, descobri agora uma página onde me dizem que pode viver mais de cem anos. Claro que pode. Ora essa.


por MCV às 02:25
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ANO XIV


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