Sexta-feira, 3 de Dezembro de 2004
Madeira


A capital do móvel não me deve nada.
A minha pouca apetência consumista, as heranças avoengas e um certo esgar face aos aglomerados de madeira que se dão ares de cerejeira, de azinho, de pinho ou de castanho, faz com que não seja cliente de lojas de mobílias.
Ainda me surpreendo com as peças em boa madeira que encontro abandonadas no lixo, enquanto os seus anteriores proprietários se deliciam com as últimas modas dos hipermercados do ramo.
Hoje fui levado a um desses santuários.
A sensação que tive foi a de ter recuado até aos anos 30. Ou até um pouco mais. Lá estava a Bauhaus reinterpretada, quase noventa anos depois. Nada de novo, portanto.
Mas a ideia com que se fica é que estas coisas são assim mesmo. Que se vendem como novos, conceitos e formas de arte que já fizeram quase um século de caminho.
No caso do mobiliário, com materiais muito mais perecíveis.
Pela minha parte, também prefiro o que já resistiu mais de cem anos. Mas ao serviço. Mesmo que a minha cadeira não seja tão confortável como as que se vêem hoje por aí.


por MCV às 18:03
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