Domingo, 31 de Outubro de 2004
Se conduzir, não beba

imagem de http://www.geocities.com/ricardomatos/europapt_alcool.html

"É muito dfícil educar um povo." - uma das coisas que sempre me intrigou foi a razão pela qual o meu velho e bom amigo J.d'. usava esta frase como prefácio em noites de engate.
Mas lá que resultava, resultava.
Nem ele nem eu, modéstia muito à parte, tivemos muitas razões de queixa do género feminino.
Mas não era nada disto que eu pretendia dizer.
Pego no Relatório Anual da Sinistralidade Rodoviária de 2003 da D.G.V. e, a páginas 16, leio:

"No que respeita aos condutores intervenientes em acidentes, 84,7% foram sujeitos ao teste de alcoolemia. Destes, 3,6% apresentavam uma taxa de alcoolemia superior a 0,5 g/l e cerca de 2% uma taxa superior a 1,2 g/l."

Suponhamos, o que não é certo, que os 2% são 2% dos que foram sujeitos a teste. Teríamos 3,6% + 2% = 5,6% de condutores em infracção.
Suponhamos ainda, no limite do absurdo, que os restantes 15,3% (condutores intervenientes em acidentes, não sujeitos ao despiste do álcool) se encontravam alcoolizados: Temos uma percentagem de 20,0% (15,3% + 4,7%*) de condutores intervenientes em acidentes em que a influência do álcool pode ter sido a causa do desastre.
O relevante disto é que, mesmo nesse caso absurdo, 80% dos condutores que causam ou sofrem acidentes não estão sob o efeito do álcool.
Sou a favor da penalização e das campanhas contra o álcool na estrada. Sobre isso, nada a acrescentar.
Agora o que me faz espécie é esta ideia repetida e falsa de que o álcool é a principal causa dos acidentes na estrada.
Se não são os números que nos dizem isso, é o quê? É porque tem que ser?
Na minha reputada ignorância, e apenas observando a amostra que conheço, chego à conclusão de que a maioria dos acidentes acontece porque os condutores não sabem conduzir.
Tal como não sabem muitas outras coisas.
Voltando ao J.d', e se é assim tão difícil educar um povo, por que não amedrontá-lo? Não foi isso que se fez sempre, pelos séculos dos séculos?
Se parece que resultou com o álcool, por que não estender as fortes penalizações a todos os que causarem acidentes com feridos, por exemplo?
É por a medida não ser popular?

*os 5,6% dos 84,7% que foram submetidos a teste, são 4,7% do total.


por MCV às 23:02
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2 comentários:
De Anónimo a 1 de Novembro de 2004 às 20:06
Eu, como disse, falo da amostra que conheço, pelos relatos que ouvi de pessoas que sofreram ou causaram acidentes e pelos que presenciei.
Mas estamos de acordo. Se não se consegue explicar a alguém que o seu comportamento é perigoso, ou se essa pessoa se está nas tintas, o melhor é fazer com que tenha medo da punição.
Um abraço
Manuel
</a>
(mailto:gasolim@hotmail.com)


De Anónimo a 1 de Novembro de 2004 às 00:32
concordo no essencial. discordo que os acidentes provenham de ignorância quanto á condução. a causa, na sua maioria, é da imbecilidade irresponsável - sabem, mas estão-se nas tintas. acrescenta a necessidade de puniçãojpt
(http://www.maschamba.weblog.com.pt)
(mailto:maschamba@hotmail.com)


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