Domingo, 31 de Outubro de 2004
Prioridade
Há aquela velha história dos dois fidalgos que se batem em duelo para decidir quem cederá a passagem a quem, numa viela estreita em que as duas carruagens não cabiam a par.
Nenhum dos dois admitia ser menos cavalheiro do que o outro.
Um destes dias, aconteceu-me o insólito.
Em certa porta de um edifício público que me preparava para abandonar, um outro homem intentava entrar.
Estando a porta fechada, abri-a e cedi-lhe a passagem.
O homem hesitou, observou-me de alto a baixo, e em tom crispado, balbuciou um obrigado.
Julgava eu que, nestes casos, se aplicava a regra contrária à dos transportes públicos em que aí sim, primeiro saem os que estão, depois entram os que não estão.
Parece que me enganei.
Como o meu traje e o meu aspecto se inscrevem no que podemos chamar modal para um homem de 45 anos, ficou-me uma certa indignação pelo olhar contemplativo que o dito cujo me deitou.


por MCV às 21:42
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ANO XIV


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