Sábado, 30 de Outubro de 2004
Ignorância urbana

imagem de http://www.barracuda.com.br/CBD-RAPOSAEUVAS.gif

Desce-se ou sobe-se da santa terrinha e logo a vergonha de mostrar que se sabe de galinhas e de farelos, enquista e trava a interpretação das coisas simples.
Isto não tinha, não tem, nada de singular.
Era um cacho de uvas. Sei lá de onde vieram, que tratos levaram. Eram uvas. E não eram grande coisa.
Para ali ficaram.
Eram visíveis a olho nu.
Por isso, um destes dias, o olhar fixou-se no cacho. Umas quantas uvas mirradas e encarquilhadas. Mas lá ficou.
Outros dias se passaram e mais uvas mirraram.
Até que me picou a mosca. Xaver as passas. Provei uma. Belíssima. Outra. Belíssima também.
Era a hora de alguém me pôr a maçã na boca aberta e servir. Bácoro dentro de um cesto.
Então mas estas uvas não ganham bolores, não azedam como as outras? Pelos vistos, não.
Fugiu-me a memória para os caniços. Para os pares de cachos atados, à espera da raposa ou de engelharem.
Afinal também as uvas de supermercado passam a passas. As uvas fabricam-se nos esconsos dos supermercados, um pouco à frente do leite e antes das salsichas, toda a gente o sabe.
Santa ignorância. Santa mas nada rústica, é urbana ou suburbana, como quiserem.


por MCV às 19:54
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3 comentários:
De Anónimo a 31 de Outubro de 2004 às 21:59
Caro amigo Passos e cara amiga Gata:
Confesso que, apesar de estar fartinho de ver uvas a passarem-se, penduradas nos tais caniços de casas ancestrais, foi com incredulidade que vi o mesmo acontecer ali num prato de fruta, à frente dos meus olhos.
Será isto a tal ignorância das coisas simples com que a condição de urbanos se encarrega de nos ferrar?
Abraços
Manuel
</a>
(mailto:gasolim@hotmail.com)


De Anónimo a 31 de Outubro de 2004 às 16:14
Tanto quanto as coxas de frango que já nascem depenadas, limpinhas, em bandejas de isopor recobertas por filme plástico.Santos Passos
(http://santospassos.blogspot.com)
(mailto:santos.passos@uol.com.br)


De Anónimo a 31 de Outubro de 2004 às 13:21
Já lá diz o ditado: 'tudo na vida passa, até a uva passa'. Assustador, isto, de ver como o mais primordial/essencial nos é desconhecido.
abraço G.GatodeLisboa
</a>
(mailto:gatodelx@hotmail.com)


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