Quinta-feira, 7 de Outubro de 2004
Feite Dáivares
Foi assim, mais ou menos assim, que o país inteiro se riu de si próprio.
E é assim, mais ou menos assim, que o país se queixa de si próprio.
Nada do que é essencial aparece como preocupação primeira. Não me espanta. Talvez assim tenha sido sempre, salvo no caso das grandes catástrofes.
Dos políticos, diz-se que são maus - também eu o digo, quando a mostarda me chega ao nariz e absurdamente almejo que sejam geniais - do povo, diz-se que é boçal. Creio que todos, sem excepção, podemos ser boçais. É tudo uma questão circunstancial. Talvez uns mais do que outros, ok. Mas a verdade é que dificilmente nos suportamos uns aos outros e que isso leva muitas vezes a esses extremos.
Não acho que este país seja pior do que outros. Será mais difícil viver aqui do que em alguns outros lugares, mas é seguramente mais agradável e menos perigoso do que na maior parte do mundo.
Voltando a encarrilar no que queria dizer de início, não me parece que haja grande novidade para nos fazer sentir mais insatisfeitos hoje do que ontem.
O que parece que há, e parece não só aqui mas um pouco por todo o lado, é uma insatisfação generalizada.
Insatisfação essa que não posso dizer de onde vem. Posso especular, conjecturar, apenas isso.
Há anos que digo aos que têm a paciência de me ouvir, que a Natureza (melhor dizendo, o Tempo) se encarregará de nos pôr no sítio. Seja pela guerra, pela peste ou por outra qualquer forma de que ela se lembre. Como se ela o não fizesse diariamente.
Esta insatisfação pode muito bem vir do excesso de segurança. Da vertigem do risco. Guerras aqui e acolá, em pequena escala, não foram o bastante para aplacar os ânimos.
É preciso mais tensão e mais energia libertada.
Andamos todos assim.
Qualquer zanga de comadres parece (se deseja que seja) uma catástrofe. Mas não é.


por MCV às 20:46
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4 comentários:
De Anónimo a 8 de Outubro de 2004 às 14:37
Temo que tenham razão quanto ao riso. O país não se ri de si próprio, a não ser a espaços, e não se dando conta de que o faz.
De resto, o meu ponto era que mais se queixa do que faz qualquer outra coisa.
Mas não é de hoje, como bem diz a Gata.
É de sempre.
Quando o Emílio diz que há todas essas características a vir ao de cima, também diz que são os elementos que têm maior visibilidade.
De acordo. A questão da visibilidade é, para mim, a que faz a diferença.
Porque não creio que o quadro seja muito diferente do que já foi.
A visibilidade de hoje, e o feed-back que proporciona é que talvez, digo eu, especulando, gere ou potencie essa insatisfação geral. Não sei, pode ser que seja assim.
Um abraço aos três.
Ou como se pode discordar com elegância (também me apetece ser um bocadinho elitista...)


Manuel
</a>
(mailto:gasolim@hotmail.com)


De Anónimo a 8 de Outubro de 2004 às 12:26
Estou de acordo com o Emílio. Deixámos de saber rir de nós próprios. E o pior, é que este país, cada vez mais está um país de anedota. AbraçoYardbird
(http://novosvoos.blogspot.com)
(mailto:yardbird25@netcabo.pt)


De Anónimo a 8 de Outubro de 2004 às 10:33
Caro Manuel, lamento dizer-lhe que está enganado. Este país não sabe nem é capaz de rir de si próprio se atendermos aos elementos da sua população com maior visibilidade: gentinha incapaz, pedante, convencida, estúpidamente ambiciosinha, complexada e moralmente desonesta, que, se não o for na acção, é-o pelo menos na intenção. E se esta é a parte mais representativa e evidente da nossa classe política, vamos rir de quê, diga-me?
Vou ver é se aprendo consigo a manter essa calma no expressar. Um abraço.Emilio de Sousa
(http://oferta.blogspot.com)
(mailto:foradobaralho@yahoo.com)


De Anónimo a 8 de Outubro de 2004 às 09:16
Suponho que como para nós esta é a nossa realidade, nem sempre conseguimos o distanciciamento suficiente para a analisar friamente. No entanto, Camões já se queixava disto. Acho que a má notícia é que não mudámos muito de há 500 anos para cá.
Bom post!
Abraço
G.GatodeLisboa
</a>
(mailto:gatodelx@hotmail.com)


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