Quinta-feira, 23 de Setembro de 2004
Bóias, bolas, livros, postais ilustrados e jornais estrangeiros


Admito que não resisto a uma tenda assim.
Ainda que as de hoje tenham outro tipo de chamarizes, diversos dos da minha infância.
E que hoje são essencialmente os jornais que me atraem.
Não posso garantir que a minha primeira atenção para estes bazares tenha sido motivada por um certo livro em que pontificava João Bafo-de-Onça e que decerto terá sido uma desesperada prenda de meu pai, não porque a cria fosse rebelde ou desatenta mas por razões muito mais ponderosas.
Mas esse livro marcou-me. Não havia bóias nem bolas no quiosque ferroviário. Haveria com toda a certeza carteirinhas de cromos, jornais do dia, revistas pornográficas à socapa, livros de bolso, maços de tabaco, isqueiros para os detentores de licença e muito mais.
João Bafo-de-Onça ver-se-ia mais tarde que não seria a minha personagem favorita. No entanto, a sua imagem ficou gravada e provocou muito provavelmente a febre que consumiu durante anos os 20$00 mensais de Tio Patinhas e Mickeys.
Depois complementados com os Mundos de Aventuras, os Falcões, os Guerras, os FBI.
A questão das bóias e das bolas era que se constituíam, na terra alheia, em marco geodésico de onde a probabilidade de avistar as capas da devoção era alta.
Quase nunca me enganava.
Esse fascínio passou depois para os jornais. Os mesmos que lançava para a caixa do carro e lia de empreitada.
Quiosques ferroviários, bancas de jornais em cafés, quiosques de rua e papelarias de província são a minha perdição. Talvez nem mais nem menos do que uma livraria.
Tenho a quem sair. Não me faltam Argonautas, Vampiros, Livres de Poche e outras colecções por essas estantes.

Nota: sobre cromos, há uma interessante página de João Manuel Mimoso.

as capas dos livros foram obtidas em leilões on-line, ao que me recordo


por MCV às 12:53
endereço

7 comentários:
De Anónimo a 25 de Setembro de 2004 às 02:27
Pois é, Manuel,
Perco horas em uma livraria; algum tempo (bastante), também, em uma papelaria.
Estranho encanto, ou vocação?
Abraços
Fernando CalsFernando Cals
(http://observador.blogbrasil.com)
(mailto:fcals@globo.com)


De Anónimo a 24 de Setembro de 2004 às 21:22
Amigo Yardbird, desse Cavaleiro recordo-me de ouvir falar. Mas não me lembro de o ter lido.
Vi no blog do JPP que metia o Blake & Mortimer, a esses conhecia-os da Marca Amarela em livro.
Mas isto é assunto que dá mais posts. Voltaremos à carga.
Ah, um aparte, já que falamos de BD: o apelido da Elisa não é Rabbit? Parece que a estou a ver...
Um abraço
Manuel
</a>
(mailto:gasolim@hotmail.com)


De Anónimo a 24 de Setembro de 2004 às 21:09
Ora o Gato é afinal uma Gata! Pois é, dessas três revistas podia ter mencionado o Tintin, embora ela tenha entrado lá em casa mais por mor do meu irmão, uns anos mais novo. Acabei a reservá-la no quiosque e a comprar os livros mais tarde (ah, e não esquecer a série à hora do almoço na TV). Podia ter falado nos Cinco, no Astérix... enfim, nostalgias.
Lembro-me da Mónica mas da Flecha 2000 já não.
Um abraçoManuel
</a>
(mailto:gasolim@hotmail.com)


De Anónimo a 24 de Setembro de 2004 às 20:31
E não te lembras do Cavaleiro Andante? Esse é que foi um marco na minha meninice :) Abraço, amigoYardbird
(http://novosvoos.blogspot.com)
(mailto:yardbird25@netcabo.pt)


De Anónimo a 24 de Setembro de 2004 às 18:26
É verdade. Como era simples a nossa infância. Apesar de ter apenas 32 anos, ao ler o seu post lembrei-me de todas essas revistas e também da Turma da Mónica, do Tintin e mais tarde da Flecha 2000, de poder brincar na rua até tarde, comer figos directamente da árvore, nêsperas e pêssegos quase sem lavar, só as passando pela roupa, subir a árvores. Não sou alentejana, mas tive a sorte de poder passar tempo junto ao mar e no campo, de ter esfolado os joelhos e os braços. Não havia, sem dúvida, tantos atractivos como agora, em que os miudos se fecham em casa a jogar nas consolas, a ver dvds, a falar com os amigos pela internet, a ver inúmeros desenhos animados na televisão. Mas por outro lado, raramente eu precisava de por protector solar, pois passava o dia ao sol, não tinha alergias, curava as feridas ao ar livre, as dores de barriga passavam depressa (era uma maria-rapaz, sim) e sei lá que mais...
Pronto. Deu-me para a nostalgia...
Um abraço
G.GatodeLisboa
</a>
(mailto:gatodelx@hotmail.com)


De Anónimo a 24 de Setembro de 2004 às 13:38
45 anos, amigo. É quantos conto. Quanto aos jornais, sempre lhe digo que exercem, continuam a exercer o seu fascínio. Mesmo que, em férias, os vá depositando em camadas na caixa do carro até que... Concordo consigo que é difícil separar o trigo do joio e ter de suportar opiniões quando deviam ser notícias. Mas aí, julgo que rádios e televisões ainda levam a palma. Mas é apenas uma opinião desajustada a minha, teria que se comparar a coisa sei lá com que critério.
E quanto ao nosso sul, já eu sou alentejano dos quatro costados. Mesmo que a vida corra mais ao pé do Tejo do que devia.
Não são poucas as vezes que me faz falta olhar pela tal janela abaixo.
Um abraço
Manuel
</a>
(mailto:gasolim@hotmail.com)


De Anónimo a 24 de Setembro de 2004 às 11:06
Li os mesmos livros que você na minha mocidade que deve ter sido talvez contemporânea da sua.
Só não compartilho do amor aos jornais. Não suporto tentativas de manipulação.Leio um ou outro muito de vez em quando.
Não vem a propósito, mas a minha família materna também é alentejana de Évora, que, para mim, apesar de não ter nascido lá, é a Minha Cidade.Emilio de Sousa
(http://oferta.blogspot.com)
(mailto:foradobaralho@yahoo.com)


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