Quarta-feira, 15 de Setembro de 2004
O inquérito
Num grande número de casos, quando ocorre um acidente, é possível ter conclusões preliminares com as observações feitas in loco, nas horas seguintes.
Conclusões no que diz respeito às causas directas, bem entendido.
O que demora é apurar uma ou outra causa indirecta e as responsabilidades quer nos erros quer nas omissões.
Mas quando, face a um acidente qualquer que seja, assistimos ao espectáculo de ver (ouvir) alguém afirmar que não falhou nada, apenas ficamos com uma noção da capacidade de quem produz tal dislate. Só isso.
Não falhou nada e todavia...
Depois da fase do a quente, em que se ouvem estas e outras pérolas, segue-se a fase do aproveitamento.
Em que vêm à tona toda a sorte de reivindicações relacionadas ou não com o ocorrido. Sempre em maior número as que não têm ponta por onde se lhe pegue, é claro.
À medida que o inquérito avança, o ruído de fundo não cessa, deixando adivinhar as pressões para que se veja isto e não aquilo.
Quando por fim, se conhecem as conclusões, é certo que se vão buscar pilhas de assuntos que não vêm ao caso. Quase sempre se fica sem saber o que é que aconteceu e porquê.
Já só se discutem aspectos que em nada concorreram para o sucedido.
E o que realmente interessa, saber o que correu mal para se evitar que aconteça de novo, nos mesmos moldes, isso realmente não interessa nada.


por MCV às 12:26
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1 comentário:
De Anónimo a 15 de Setembro de 2004 às 19:02
Certo é que as coisas repetem-se, amigo. Por vezes até me interrogo se muitos inquéritos não serã de todo dispensáveisyardbird
(http://novosvoos.blogspot.com)
(mailto:yardbird25@netcabo.pt)


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