Sábado, 4 de Setembro de 2004
Não
Não. Não há de novo na barbárie.
Nem na barbárie maciça, nem na fragmentária.
Nem na dos números às centenas, nem na do um de cada vez.
Nem na morte de crianças, nem na guerra.
O que há de novo é que, nesta civilização do meio da Europa para cá, com os seus prolongamentos a outros continentes, desde a Segunda Guerra Mundial, que não se vê coisa assim.
Não que não tenha já acontecido aqui, em outras épocas.
Não que não tenha acontecido bem depois disso nesta mesma Europa, mas na outra.
Não que não tenha acontecido no seio da nossa civilização mas em lugares outros.
Mas aconteceu e aconteceu vezes e vezes.
E acontecerá.
Estamos muito longe de deixarmos as armas, se é que alguma vez isso irá acontecer.
Estamos muito longe de não disputarmos territórios, palmo a palmo, vida a vida.
Quando estas imagens nos entram pelas casas a dentro, o pior que podemos fazer é acreditar que o mundo se resume e se resumiu ao que vimos na televisão.
Há umas guerras, uma guerra, lá fora. E o lá fora pode ser ao virar da esquina.
E não há botão de Cancel.


por MCV às 22:45
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