Sábado, 4 de Setembro de 2004
O Mago
Já há cinco dias consecutivos que me surgia à frente sempre na mesma curva do túnel do Metro.
Via-se que seguia com passo determinado, com alguma tarefa urgente para realizar.
Estatelou-se, depois de chocar contra o meu ombro.
Bateu com a cabeça nos mosaicos de vidro. Sangrava.
Não há rede – gritava o homem da pasta, secundado pela mulher dos cabelos falsamente ruivos.
Não houve recriminações. Fora um acidente.
O rapaz com ar de estudante disse que já conseguira ligar.
Um quarto de hora depois, depois de dois lenços ensopados em sangue, ouviu-se a sirene na boca do Metro.
Os socorristas fizeram o seu trabalho, levaram o homem.
Por ali caído no chão estava um cartão:



Guardei-o, sem que ninguém percebesse que não me pertencia.
Corri todos os hospitais, pedi todas as informações ao 112, ninguém me soube dizer onde estava o Mago.
O cartão não tinha qualquer número de telefone.


por MCV às 11:59
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ANO XV


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