Domingo, 8 de Agosto de 2004
Chuvas de verão
Não é o cheiro da terra molhada que recordo, esse reservo-o para os inícios do Outono, para as tardinhas em que os que caçavam reconheciam perdizes e falavam de lebres agachadas.
Não é o piso de manteiga, esse reservo-o para a memória das lições que recebia do meu tio, ainda mal chegava aos pedais do faruque.
Não são as goteiras nos toldos das esplanadas, essas reservo-as para as vilegiaturas tardias em cafés desertos.
Não é a torrente barrenta entre seixos que descia pelo largo, essa reservo-a para alturas da feira de Castro.
Sempre que chove no verão, sempre que chove no meu verão, vêm-me à memória cordas e aprestos de barcos, o defunto pontal de Sines e banhos de água cadente, dentro ou fora das ondas da praia Vasco da Gama.
Sempre que chove no meu verão, vejo as lentas gotas escorrendo da nespereira em frente da janela, ou a cor húmida das flores avistadas pelos postigos da cozinha.
Nada disso existe mais.



imagem do IEP


por MCV às 20:34
endereço

ANO XIV


EDITORIAL
. Posts recentes

Porto, 2007

Portugal, 2004

Politicamente correcto...

Melides, 2013

Penha Garcia, 2013

Espanha, 2010

Alvor, 1989

Para depois

Da moda

40 anos de estrada e m...

. Arquivos
. Links