Terça-feira, 3 de Agosto de 2004
Equinócios, doutores e a vida no campo
Deve haver aqui um pequeno equinócio – remata muitas vezes assim um velho amigo.
Mais pelo gosto de ser equívoco do que pela metáfora de um de trevas para um de luz.
Nos dias que correm, a nova urbanidade traz-nos os mais diversos exemplos de distância em relação à observação simples das coisas simples.
A distância em relação a uma certa escala de observação, dita humana. Ou, para outros, primitiva.
A escala em que se observa o nascimento de um borrego, sem cuidar de veterinária ou de biologia.
A escala onde se percebe que o leite não se fabrica nos supermercados, sem cuidar de marketing ou de economia.
Uma das coisas que me levou hoje a escrever este post foi ter constatado que, para um número de pessoas muito superior ao por mim esperado, a propósito de certa conversa, os dias de Agosto não são sucessivamente mais pequenos.
Que, segundo as mesmas pessoas, toda a gente sabe que os dias só começam a ser mais pequenos a partir de Setembro (do equinócio, portanto).
Há aqui duas coisas que concorrem para o erro.
A primeira é o esquecimento das mais básicas instruções sobre o ciclo solar anual, que nos foram ministradas nos anos mais remotos de escola.
A segunda é a completa inobservação das coisas simples.

Em tempos, numa daquelas situações em que ouvimos falar sucessivamente de alguém e nos encontramos inúmeras vezes na iminência de o conhecer sem que tal acabe por acontecer, era de um investigador que me falavam. Amigo e colega das pessoas que assim o anunciavam.
Sem conhecer a pessoa, ficou-me apenas um aspecto que adrede era mencionado. Que, no meio dos dados experimentais que recolhia, não se dava conta da absurdidade dos mesmos.
E a justificação que, em seguida, davam para o facto era a de que já não tinha os pés na terra.

O que me leva para a dita terra, para o campo, onde ainda encontro a atenta observação das coisas simples.
E a sua interpretação, a uma dada escala.
Talvez por as variáveis em observação serem poucas, talvez por os dados apresentarem pequena dispersão em relação ao esperado, numa curva que já está atavicamente presente no espírito de cada um, haja poucas surpresas.
E, quando existem, a essa escala, há sempre teses para as explicar. Mais ou menos razoáveis.
Basicamente, ninguém se surpreende ou se comove como acontece na urbanidade desenraizada.
E também se erra menos.


por MCV às 08:04
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3 comentários:
De Anónimo a 5 de Agosto de 2004 às 07:21
será que é possível se "errar" menos?
bjus
///~..~\\\arabella bella
(http://www.arabella.bella.blog.uol.com.br)
(mailto:arabella.bella@uol.com.br)


De Anónimo a 3 de Agosto de 2004 às 15:01
Venho-te deixar um abraço e...concordar contigoyardbird
(http://novosvoos.blogspot.com)
(mailto:yardbird25@netcabo.pt)


De Anónimo a 3 de Agosto de 2004 às 10:03
http://mixxxel.blogs.sapo.ptmixxxel
</a>
(mailto:michel13@iol.pt)


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