Sábado, 17 de Julho de 2004
O extraordinário mundo da fabricação das coisas
Confesso a minha altivez. Às vezes, dá-me para isso. E com ela, vem o desdém pelos empertigados e fabulosos fazedores das coisas.
Sabe-se hoje, desconfia-se aqui e ali, que apenas é matéria o que é propagado aos sete ventos. Todo o resto é coisa que não existe, ou existindo, escapa à nossa compreensão.
E só sendo matéria o que propagado é, não carece a coisa para ser matéria de ser seja o que fôr mais. É o bastante.
Assim, o velho e errado hábito de apalpar as coisas para ver se eram a sério (o ar nunca foi coisa, já se sabe), cai enfim por terra.
É um deleite vermos os novos vendedores da banha-da-cobra e os novos prestidigitadores a tentarem convencerem-nos das suas barganhas e das suas habilidades.
Algures, perdeu-se a raiz das coisas. A raiz que, torta ou direita, deu nome à razão. Não faltam as matérias que de nada são feitas, os conceitos que só vácuo encerram. E dos quais e das quais, se elaboram novos conceitos e se fabricam novas matérias.
É vê-los a afirmar que as suas fábulas só não se confirmaram porque a surpresa teve lugar.
É ouvi-los a dizer que as ciências que defendem, embora não possam prever, conseguem explicar.
Um mar de nada. Onde soam as vozes que são mais do que vozes?
Eu sei que isto não é novo. Agora só parece ser mais visível, por toda a parte espalhado.

Vou para o monte. Lá, pelo menos, das landes e só das landes, nascem sobreiros.


por MCV às 00:35
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2 comentários:
De Anónimo a 24 de Julho de 2004 às 14:45
E acima de tudo, lá as coisas são aquilo que tu quiseres que sejam, sem distorção, sem interferencias...
André
(http://temavondo.blogs.sapo.pt)
(mailto:andre.claudio@sapo.pt)


De Anónimo a 17 de Julho de 2004 às 17:47
E vais muito bem, Manuel. Lá as coisas são simples e não mudam de nome.aq
(http://www.dizertudocomoosmalucos.blogspot.com)
(mailto:aaqq@iol.pt)


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