Sexta-feira, 16 de Julho de 2004
Orientem-se
Li há semanas no Expresso que uma das queixas mais frequentes por parte dos jornalistas estrangeiros que acompanharam o Euro 2004 foi a sinalização deficiente.
Menos mal se foi isso afinal o pior da coisa. E parece que assim terá sido.
Seja ou não cortesia dos entrevistados, é um aspecto a reter.
Um velho amigo, sempre irónico, diz há muito que com a nossa sinalização, ninguém que conheça o caminho se engana.


Durante muitos anos, houve nas nossas estradas uma tradição na sinalização informativa que se pautava pela legibilidade bem estudada e pela coerência dentro de uma hierarquia da rede rodoviária.
Havendo quatro diferentes categorias de estradas nacionais, sucedia que as estradas de 3ª categoria (efectivamente a 4ª, pois havia as estradas principais, as de 1ª, de 2ª e de 3ª categorias), ainda dispunham de uma sinalização razoável.
Aos sinais de aproximação de cruzamento ou de entroncamento, sucediam-se nas intersecções os sinais indicadores de direcção e posteriormente, os sinais de confirmação da direcção em que se seguia, para já não falar dos marcos quilométricos que confirmavam rumos e distâncias a percorrer.
Em regra, já as estradas e caminhos municipais eram desprovidos de sinalização.
A certa altura, a intervenção municipal começou a notar-se nesse campo.
Primeiro timidamente. Depois, de forma eufórica e folclórica. E sem critério.
Na maior parte dos casos, percebia-se claramente que a concepção e a colocação dos sinais era arbitrária.
Em zonas urbanas, a coisa piorava. Cores dependentes da escolha de cada um, consoante o município. Escolhas péssimas quanto à legibilidade, quer no contraste forma / fundo, quer no formato e na escala das letras.
De uma situação em que existia uniformidade no país, embora com falhas evidentes ao nível das localidades mais populosas, passámos para a competição pelos sinais mais aberrantes.
Na colocação, na hierarquia dos locais a sinalizar, um desastre.
Sinais mais do que evidentes de que pessoas sem a mínima preparação ou bom senso decidiam estas coisas.
Ainda no plano nacional, verifica-se a degradação da informação. Um caso gritante é a substituição ou a nova pintura dos marcos quilométricos que apenas revela o quilómetro respectivo. Sabendo nós que essa informação é irrelevante para quem se orienta por meio de um mapa de estradas.
É a eterna dificuldade de nos colocarmos no lugar do outro, do que não sabe, do que não conhece.
Quem peça muitas informações sobre direcções verá que a esmagadora maioria dos interpelados, embora com boa vontade, não conseguem dar uma explicação adequada ao desconhecimento. Comum é ouvir-se um ponto prévio: conhece isto, conhece aquilo?
De qualquer forma, há que dizê-lo, e voltando aos jornalistas de fora, supondo que grande parte dos trajectos se fizeram em auto-estrada, a sinalização nestas é muito razoável.
Referir-se-ão provavelmente ao acesso próximo de estádios e hotéis. Esse sim, costuma ser calamitoso. Mas não sei se houve ou não sinalização temporária a apontar os locais mais procurados. E é natural que tenha havido.
Não fui ver, não sei, não faço ideia.


por MCV às 19:24
endereço

1 comentário:
De Anónimo a 16 de Julho de 2004 às 23:21
A meu ver, a nossa sinalização é extraordinariamente simples: sempre em frente até ao próximo sinal. Incluindo rotundas e cruzamentos. Antigamente indicavam-se localidades, agora indicam-se estradas. Pergunto-me, pergunto-me se por ventura, quem define a sinalização das estradas, será condutor ou é normalmente o navegador?
Um abraço, G.GatodeLisboa
</a>
(mailto:gatodelx@hotmail.com)


Comentar post

ANO XV


EDITORIAL
. Posts recentes

Portugal, 2012

Lisboa, 2017

Sintra, 2016

E.N. 263, 2011

Póvoa de Varzim, ...

Portugal, 2008

Um caso clássi...

Memorandum

Portugal, 2006

Vila Franca de Xira, 2...

. Arquivos
. Links