Quinta-feira, 15 de Julho de 2004
O meu banco Gorringe


Do banco Gorringe, dizem-se duas coisas. Que é uma zona fatal em se tratando de gerar terramotos e que é um pesqueiro abundante.
Parece uma boa metáfora para denominar as histórias em hipógrafe.
Na verdade, não são histórias.
Apenas a constatação de que o banco de pesca onde desencantei pequenos terramotos feminis se situa algures na periferia de mares amigos.
Perto e longe de casa.
Sempre longe dos sítios onde a força maior me obrigava a permanecer.
Sempre as amigas dos amigos, as primas dos primos e nunca as colegas de escola ou de profissão.
Sempre por acasos, como quando certo irmão enganchou um polvo no anzol enquanto sirgava ao longo da margem.
A afinal não tão misteriosa irmã de um companheiro de copos que teimava em abandonar as capelinhas para a ir buscar para a festa.
A estranha a quem se pediu o favor de entregar isto à amiga comum.
A que fazia par com a namorada do amigo e tens que vir comigo.
A que apareceu na casa de uns amigos antes do jantar.
A que falava alto na mesa ao lado.
A que estava sentada ao lado do velho amigo já não sei por quê.
A que ficava na praia, uns toldos abaixo, e que ganhou coragem quando apareceu alguém que nos conhecia a ambos.
A prima do primo que jogava ringue noutra praia ao cair da tarde.
A que abriu a porta da casa de família naquele fim de tarde primaveril.
A amiga da prima que surgia sempre sem se saber de onde.
Algumas outras em circunstâncias semelhantes.
Tudo bem visto, o meu banco Gorringe situa-se a sul. Um pouco mais a norte do que o verdadeiro, desencadeando pequenos sismos e cheio de peixe.
Sou como o Anarcka, não acredito na aquacultura.
O que é que me anda a dar para ser tão autobiográfico?

imagem adaptada de


por MCV às 17:42
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1 comentário:
De Anónimo a 15 de Julho de 2004 às 22:32
Necessidade de o seres?!

Abraços.
LetrasAoAcaso
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