Sábado, 26 de Junho de 2004
Desapontamento
Não percebo nada dessas coisas. Psicologia colectiva, ânimos de massas.
Gostava de conhecer ensaios razoáveis sobre o assunto. Não conheço. Havê-los-á?
Noto, creio que todos notamos, o desalento generalizado.
Que origina o ressentimento, a procura de culpados, quase a revolta.
Entrecortados por surtos de euforia associados a esta ou aquela febre.
Em dias, tudo passa. Pior, passa rapidamente da euforia à depressão profunda.
Arrasta-se isto há anos e anos. Aparentemente com efeitos cumulativos. Mesmo que tenha havido um ou outro período de contraste.
Só me pergunto uma coisa, alguma vez terá sido diferente? Nota-se mais hoje porque tudo é mais visível? E porque há mais gente visível?
As grandes motivações não são todas elas como as paixões individuais? Efémeras, voláteis. Existirão mesmo?
O país está deprimido. Leiamo-nos uns aos outros, é o que se vê.
Quanto ao futebol, essa erva dos milagres, lembrem-se quantos dias durou a vitória do Porto.
Ganhemos ou não o torneio, em quarenta e oito horas a coisa volta ao que era.
Leiamo-nos uns aos outros. Desânimo.
Alguma vez terá sido diferente? O que é que é preciso que aconteça para os corações irem ao alto e lá permanecerem por uns anos?




por MCV às 18:39
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3 comentários:
De Anónimo a 27 de Junho de 2004 às 11:24
Concordo contigo.
Para quando largar este desãnimo? - e quando o largamos por instantes, será pelas melhores razões? - Tentei de alguma forma através do uso da psicologia de massas explicar isso aos meus leitores de jornal.

Vou transcrever-te o artº.
Abraços.
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Da violência do espectáculo, e das causas da mesma!



Espanha: o inconcebível!





O atentado perpetrado em Espanha, mais que levantar a questão de quem são os responsáveis, ou a hediondez do mesmo, levanta uma série de questões que me parecem de muito maior pertinência.

E vou abrir aqui um parêntese, para relembrar que ainda bem há poucos dias, abordei a questão da violência da Sociedade em que vivemos. De forma algo superficial, é certo, mas ainda assim, abordei.

É interessante verificar a manipulação das massas. Há e é incontornável, aqui uma ciência que eu rotularia de exacta, por detrás de todas as manifestações ditas espontâneas.

Não é nova esta ciência.
As massas Espanholas que ainda há pouquíssimo tempo eram arrebanhadas para contestar a presença e a ocupação por forças militares suas no Iraque, são agora manipuladas a repudiarem o que contestavam há apenas uns meses atrás.

Porque agora pouco importa analisar as consequências. Não se pode voltar atrás. Nada nem teoria alguma devolverá as vidas que se perderam. Mas as causas, essas sim, é importante analisar.

Efésio, na sua “Pedagogia do silêncio piedoso” faz um retrato perfeito de um resultado esperado com esta doutrina: a submissão dos espíritos livres e pensadores!

O desespero do Homem Ocidental dos séculos XX e início do XXI, remete-nos para um Kafka pragmático, genuíno e demonstrativo de uma Sociedade que poderemos denominar de “alienada”, que se afunda nas suas contradições manipuladoras.

Fazendo uso do “apelo emocional” e da “mera coincidência”, a Psicologia Social, põe-se desta forma ao serviço do Poder, ajudando a aniquilar o pensamento individual, que se não enquadre no quadro traçado e desejado.

Shani Falchetti acentua esta tónica: “estamos sujeitos a manipulações e ajustamentos”. Não posso estar mais de acordo. Ressalvo porém, que essa manipulação e ajustamento são o resultado de uma apatia generalizada, usada com sabedoria pelo Populismo e pelos manipuladores.

A compreensão por parte dos diversos interesses, de fenomenologias como “ o peso das aglomerações”, “esforço versus inércia”, a dissecação do Homem-massa, dados estatísticos, dá-lhes o poder quase infinito de manobrar as massas de forma quase sempre violenta.

Da mesma forma que o fenómeno “Verde” , foi sabiamente aproveitado, por empresas ditas ecologistas para fazerem fortunas colossais e instalarem-se em lugares decisórios, esvaziando o movimento que nos primórdios era generoso e procurava de facto salvar o Planeta e a raça Humana, também todos os grandes interesses, estudaram o fenómeno da manipulação de massas, para interesses corporativos, usando a encefalia generalizada em prol de mesquinhos e muitas vezes vis interesses, que nada têm a ver com as massas manipuladas.

A “indústria da consciência”, uma inautenticidade dos meios de comunicação, a Psicologia Social, põe-se desta forma ao serviço, ou são postas ao serviço de interesses obscuros.

No caso concreto dos meios de comunicação social, vitimizando também muitos dos seus profissionais que se sentem simplesmente castrados para informar de maneira isenta, mas mais do que isso, de formar os leitores para que cada um deles, pudesse ser um livre-pensador.

Continuam a ser usados os métodos monolíticos de Orwell. As suas doutrinas, manifestamente uma compreensão não dialéctica e obsoleta, alicerçada nos parâmetros duvidosos da “Teoria dos sistemas”, uma disciplina incontornável das ciências burguesas, logo redutoras.

José Luís Félix tinha razão: “os poderes impuseram-se pela força, dessa força fizeram lei, que continuam a impor, como normas obrigatórias que regem uma Sociedade. É isto que constitui a lei”, conclui. E bem.

Seria desejável uma sociedade culta. O conhecimento de Marcuse, Chomsky o socialista “libertário” e de outras formas de pensar alternativas, mas todas elas mais justas.

E toda esta dissertação nos conduz inexoravelmente ao que aconteceu em Espanha.

Um Poder de Direita retrógrado, que tomou o partido da agressão sobre outro povo, aliando-se ao que de pior existe em termos de terrorismo: o de Estado, perpetrado pelos EUA, perante a apatia generalizada das Nações civilizadas do Ocidente.

Poder esse, que se apressou a acusar a ETA do atentado.
Quando é óbvio para toda a gente que a “vingança” provinha do Islão. Mas reconhecer isto, é reconhecer o tremendo erro cometido e as consequências que daí poderiam advir, como de facto aconteceu, para o povo espanhol, que em última análise pagou e pagará a factura.

Os nossos mistificadores tentam aligeirar a questão da segurança do Euro. Que erro crasso!
Também nós participámos e participamos na ignomínia da ocupação e do despojar de meios um povo milenar. Não será de admirar, que venhamos a sofrer as consequências de tal acto premeditado por gente louca que nos governa.
Mas no nosso caso em concreto a vergonha vai mais longe, porque de uma política de submissão se trata. Vergados ao poder hegemónico Americano.

Mais uma vez a manipulação através dos meios audiovisuais, e na generalidade por toda a imprensa, com o intuito final de tentar explicar o inexplicável e de mover as opiniões das massas para visões neo-liberais que mais não são que formas de fascismo disfarçadas!

Não pugno pelo que aconteceu em Espanha. Ninguém de bom senso, pode estar de acordo com a barbárie. Mas entender as causas da barbárie impõe-se. É a única forma de a evitar.







Foi acerca de um assunto concreto, mas ainda assim procurei respostas.

Foi publicado no meu jornal no dia 12-03-2004
LetrasAoAcaso
(http://LetrasAoacaso.weblog.com.pt)
(mailto:manintherisingsun@hotmail.com)


De Anónimo a 27 de Junho de 2004 às 00:05
Resposta à última pergunta: O que é preciso que aconteça? É preciso que o mundo pare, no preciso momento em que os corações estão ao alto.
Paixões individuais voluteis e efémeras? Sabes?... há umas que nunca passam.aq
(http://www.dizertudocomoosmalucos.blogspot.com)
(mailto:aaqq@iol.pt)


De Anónimo a 27 de Junho de 2004 às 00:03
A meu ver, caro Manel, está tudo relacionado com a dita questão da auto-estima.
Parece existir um prazer mórbido nas pessoas, de não nos deixarem levantar a cabeça.
Depois do 25 de Abril, foram anos de euforia, mas de desnorteio. Depois, disso, neste momento, é a falta de sentido nacionalista. Não existe um sentimento honesto de se fazer alguma coisa pelo país. Estamos todos demasiado preocupados com o nosso quintalinho. Todos.
Daí o descrédito na política e nos políticos, nos médicos, nos sindicatos. Não existe uma preocupação genuína. Talvez com a geração que virá a seguir à nossa, as coisas mudem.GatodeLisboa
</a>
(mailto:Gatodelx@hotmail.com)


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