Sábado, 26 de Junho de 2004
Prisão preventiva
Estive um mês em prisão preventiva.
Melhor dizendo, trinta e três dias.
O bom comportamento valeu-me um fim de semana em casa.
Mas ainda assim a pena que sobre mim podia desabar, não me deu para grandes euforias.
Nunca pensei fugir à justiça. Sabia bem que era uma ideia inútil.
Pena de morte era o que constava da sentença. Assim tão grave? Sim. Mas há hipóteses de comutação em liberdade vigiada, diziam-me com ar pouco seguro.
Na noite que antecedeu o cadafalso, fugi à guarda do corredor da morte e, às escuras, nos lavabos, contemplei demoradamente a paisagem.
Um avião. Três ambulâncias cujo único sinal era a luz azul, nada de gritos. Pouca gente na rua.
Via os reflexos das luzes nos tejadilhos dos carros e era tudo. O único brilho que podia ter era esse.
Comutaram-me a pena. Moisés intercedeu por mim, soube-o na altura.
Às vezes dá-me para ler a sentença. Liberdade vigiada doravante, uma vez que o réu tem apenas doze anos.
Em letras pequeninas, porém, lá está:
Caso o comportamento futuro não seja conforme ao estipulado nos artigos acima, esta sentença é reversível, em qualquer altura, com ou sem notificação prévia.
É a vida!


por MCV às 03:55
endereço

1 comentário:
De Anónimo a 26 de Junho de 2004 às 11:32
Tens então, que te portar muito bem. Que chatice.aq
(http://www.dizertudocomoosmalucos.blogspot.com)
(mailto:aaqq@iol.pt)


Comentar post

ANO XV


EDITORIAL
. Posts recentes

Portugal, 2008

Um caso clássi...

Memorandum

Portugal, 2006

Vila Franca de Xira, 2...

Portagem, 2011

Foz Tua, 2016

Portugal, 2017

E.N. 246-1, 2011

Apúlia, 2017

. Arquivos
. Links