Terça-feira, 22 de Junho de 2004
A União
Os onze que restam são todos da União.
Dos que se foram, Bulgária incluída, só os nossos vizinhos eram da casa.
Isto para dizer que quando se fala de Europa, ninguém sabe do que fala.
O mesmo se poderia dizer de quase todos os assuntos, é certo. Mas da Europa, que tão desapaixonadas opiniões suscita, não há muito a dizer que não seja asneira.
Coloco-me obviamente lá no meio, no meio dos disparatados com faladura. Se tantos falam, mais um não fará diferença por certo.
Quando se fala de Europa, é logo à partida necessário estabelecer do que é que se fala.
Se do semi-continente com fronteiras imprecisas se da União de Estados saída já não da ferida mas da crosta da última guerra.
Quanto à primeira, não conheço compêndio que defina os seus limites com exactidão. Não sei se existe uma linha de festo nos Urais aquém da qual sejam todos europeus. A sul da cordilheira, aponta-se a Porta como limite oriental sul da civilização aqui contida. O que cria o tal problema de dividir Rússia e Turquia e incluir ou não partes da Ásia (?) Menor como Chipre e países outrora inclusos na U.R.S.S..
Claro que estas coisas são móveis e dependem muito dos interesses do momento.
Se os russos se encarregaram de povoar o Império mais ou menos eficazmente, também a ilha conhece gesta grega de longa data.
Mas ser europeu ou não em certas zonas é apenas uma questão de saber onde passa a linha, nada mais do que isso.
Já quanto à segunda, não é bem assim.
Sabe-se com alguma precisão quais são as fronteiras, embora haja algumas bizarrias.
Saber que se é europeu UE, aceitar que se é europeu UE, é mais fácil e pode dar milhões.
Mas pelo que parece obriga a ter que desvalorizar num futuro mais ou menos próximo, as cores nacionais que tanto brilho deram às ruas e praças do país.
É aceitar o dinheiro que vem dos impostos dos longínquos escandinavos e ter que encarar a bebedeira dos bretões do lado de lá do canal, como se uns e outros fossem da Beira ou do Algarve (não estou a chamar patos aos beirões nem bêbedos aos algarvios, ou vice-versa!).
É como já referi aqui, tomar medidas para evitar que um petroleiro se afunde ou que polua e não mandá-lo para o Ribatejo, rio acima, como se isso não afectasse a todos.
É combater os incêndios quando deflagram e não empurrá-los para o concelho vizinho.
É sentir os mortos de Madrid como se fossem de uma cidade portuguesa.
É planear estradas para Varsóvia como se nos levassem até ao Alentejo.
É aceitar que os nossos destinos sejam decididos longe das coisas que conhecemos e à revelia das pessoas das quais sabemos o nome.
Nessa altura, fará pouca diferença que seja o Minho ou Trás-os-Montes, perdão a Alemanha ou a Itália a ganhar o Europeu.
Como não faz que o primeiro-ministro seja de Lisboa, de Boliqueime ou das Donas.
Alguma vez lá chegaremos?


por MCV às 15:29
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