Terça-feira, 1 de Junho de 2004
Condutas
Quer a gente queira quer não, ética e moral a cada um a sua.
Talvez apenas por não ser homem de fé, sempre desconfiei dos excessivos ordenamentos sobre uma e outra.
Claro que são essenciais. Essenciais na medida em que do ponto de vista histórico, chegámos onde chegámos mercê de imposições que os homens atribuíram aos deuses.
Mostrando assim que o castigo é certo.
Mais do que as leis dos homens, as leis e os castigos divinos amedrontaram muita gente.
Vá-se lá demonstrar que assim foi. Mas descansa-nos pensar que sim. Como se isso agora fosse importante.
Não creio que seja muito difícil aceitar que o homem mais do que à justeza das leis, reage ao risco do castigo.
Se não crê que haja castigo divino, apenas teme o castigo dos outros homens.
O que não invalida que não construa a sua própria ética, a sua própria moral, provavelmente a partir de um base atávica fundada na religião dos seus antepassados.
Anda assim entre os limites auto-impostos e as barreiras que a sociedade lhe impõe, quer estes intervalos coincidam (o que é muito pouco provável) ou não.
De outro ponto de vista, há os que acreditam na bondade dos homens e os que não.
No meu caso, considero apenas que os homens são máquinas que lutam para sobreviver e para se reproduzir e que nada de bom ou de mau há à partida nelas.
Aceito isso dessa forma e sendo eu uma máquina igual, luto também pelo mesmo. Só isso.
Todas as minhas decisões se subordinam a esses dois princípios. Disso me convenço.

Optei por manter um certo grau de anonimato neste blogue.
Não tenho nada contra nem a favor de quem optou por se identificar.
Cada um sabe de si.
A decisão que tomei, subordinada ao que acabei de dizer sobre a espécie humana, vá-se lá saber como é que se formou.
Mas formou-se tendo como pano de fundo a ideia de que o anonimato não permite muita coisa. Não permite crítica directa, não permite apreciações específicas e também não deve albergar grandes encómios.
O que é uma limitação que não me importo de me impor, tendo em conta certo número de vantagens.
Entre essas vantagens inclui-se a baixa probabilidade de sofrer ataques pessoais.
Não é que os tema, mas aborrecem-me. E não escrevo aqui para me aborrecer.
Em boa verdade, não serei dos que mais inimigos de estimação fomentaram. Mas toda a gente os tem. Se me perguntarem quem são, não saberei identificá-los. Será falsa modéstia? Não sei.
Perdoem-me desde já todos os meus leitores.
Todos eles, sem uma única excepção, de uma elevada atitude quando por aqui deixam a sua achega, concordante ou discordante. Não tenho por isso a mínima razão de queixa e talvez soe a despropósito este texto.
Mas aceito mal ataques que vi nos últimos dias e que tenho visto ao longo do tempo, a pessoas que considero neste universo blogueiro.
Ataques cobardes, anónimos (o anonimato dos cobardes não deve, não pode diminuir a todos os que o escolhem) e pessoais.
Pessoais porque se dirigem só à pessoa que escreve e nada ao que está escrito.
Não quero dar lições a ninguém e nunca tive o sonho de mudar o mundo. Aceito as coisas como são. Há pessoas que para sobreviver precisam de ter uma ética muito própria, que repugna à maioria.
A mim, repugna-me. Mas tenho que viver com isso.
E porque tenho que viver com isso, decidi pelo anonimato.
Mais uma vez, peço desculpas aos meus leitores.
Vós não mereceis que estas linhas aqui saiam. Mas também não é a vós que me dirijo.
Hoje escrevo para quem me não lê. E ainda bem.


por MCV às 18:55
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