Sexta-feira, 28 de Maio de 2004
Isossistas da comoção


Tomemos como exemplo o terramoto de 1755. Ainda hoje se tentam reconstituir as isossistas desse dia. Quantos abalos houve? Centrados onde?
As fontes são inúmeras, toda a gente o sabe. Um fenómeno natural que para a época quase anunciava o fim de l'Ancien Régime.
Mas são pouco esclarecedoras. Não fosse a colecção de registos do Inquérito às Paróquias e outros documentos de acervos locais, o quadro da desgraça não seria tão conhecido.

Suponhamos agora que a comoção é uma grandeza escalar. Sem grande rigor, uma Mercali das sensações.
Suponhamos também que a importância de um acontecimento mortífero é uma grandeza escalar, directamente proporcional ao número de mortes.
Sabendo que um acontecimento deste tipo pode consensualmente ocorrer num intervalo de tempo mais ou menos extenso, quer de trate duma guerra, duma peste, dum furacão, dum terramoto, de um acidente causado pelo homem, suponhamos que é possível relacionar directamente um certo número de mortes com o sucedido.

Atrevamo-nos a dizer que existe uma relação linear ou não, entre a importância de um acontecimento deste tipo e a comoção por ele provocada em grupos humanos.
Se existe essa relação e se tanto a importância do acontecimento como a comoção geradas podem ser medidas, por serem grandezas escalares, poder-se-á decerto mapeá-las.
A um acontecimento produzido no local L, de importância I, corresponderá, em certo instante pertencente ou não ao intervalo da sua duração, um conjunto de isossistas (chamemos-lhe assim) passando por grupos humanos sujeitos a uma comoção de igual grandeza.

Suponhamos que tudo isto é possível.
Que surpresas nos guardariam os mapas de alguns dos acontecimentos recentes?
Que factores se teriam de levar em conta para explicar o desenho das curvas?


por MCV às 20:40
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