Quarta-feira, 19 de Maio de 2004
O clima está a diminuir
Há uns anos esta manchete apareceu num jornal.
Não se tratava de climinha. Ou de qualquer liberdade poética. Era o clima mesmo.
Agora, ficamos a saber que um terço da costa portuguesa está a ser destruída.
Eu cá estou em dificuldades para enquadrar estas duas afirmações.
Ainda não percebi se são contraditórias, se são relacionadas do tipo causa-efeito ou vice-versa.
Mas confesso que me preocupo.
A costa a ser destruída sem que eu veja por lá as bondosas, as catrapilas, dá-me que pensar.
Quem andará a fazer tal maldade?

Falando a sério.
A linha de costa está a recuar? Receio que haja pouco a fazer nesse capítulo.
Estas coisas não se medem aos palmos, nem em séculos.
Avanços e recuos acontecem. É natural que as barragens impeçam os depósitos sedimentares nas zonas estuárias, é natural que o aproveitamento das areias favoreça o avanço das águas.
Mas o problema está muito acima desses aspectos. São ciclos de uma grandeza que nos escapa e forças a que não nos podemos opôr com eficácia.
Podemos fazer alguma coisinha? Ah sim. Os holandeses fazem-no há muito. Mas nem sempre as coisas são parelhas aqui e ali.
E não ajuda nada ouvir tanto disparate a propósito. Mas isso também é habitual. Forças cuja grandeza nos impede de as combater.
Há os revoltados. Ainda os hei-de ouvir clamar contra os movimentos tectónicos e a deriva dos continentes. Talvez reivindiquem indemnizações por nos terem separado da América. Ou talvez não.



A imagem ilustrativa é do IM e apenas nos diz que os deuses parecem ter identificado os dois pólos do nosso país. Não bradem muito alto que eles andem aí.
Ah, e a importância relativa de cada um... será que os deuses vão à bola connosco?


por MCV às 18:37
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