Segunda-feira, 17 de Maio de 2004
Aprendendo


Dizem que os cheiros despoletam recordações. Claro.
Também as visões, os sons, os paladares. Talvez o tacto seja o parente pobre. Talvez não. A pele transporta-nos às vezes lá para trás.
Mas os cheiros, sim. Claro.
Anos a fio, aquele perfume das areias. Eu sabia-o. Pressentia-o, sempre naquele local. Talvez que em outros também assim fosse. Mas só ali me envolvia, como desenho animado transportado numa nuvem de aromas.
E sempre às escuras, sempre nada sabendo. Apenas envolvido no aroma, como se fosse parte indefinida e indefinível do local.
O segredo só foi quebrado décadas depois do primeiro contacto.
Tinhas que ter a mania das plantas, tinhas que me obrigar a parar no Caramulo, em Moncorvo, em Monchique, em Brinches, no Cercal, em Vila Franca das Naves ou no Beliche.
Naquele dia, tive que ficar com os pés a escaldar na areia quente. Mas valeu a pena.
Ainda não sei como se chama a plantinha.


por MCV às 14:09
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ANO XIV


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