Sábado, 8 de Maio de 2004
Dia de feira


Há feira na minha terra. Suponho que entre hoje e terça-feira.
As raízes perdidas são coisas que doem.
Os dois séculos da minha vida teimaram em ganhar fronteiras bem definidas, com erro de somenos importância.
O séc.XX foi o meu tempo das origens, rústico, repleto de conhecenças, onde os demais me chamavam pelo nome.
O XXI é esta difusa coisa urbana, anónima, como está?
Sempre fui bicho-do-mato. Amante dos silêncios povoados, recluso de porta aberta, onde a praça estivesse sempre à mão.
Algures no virar do século, perdi o pé.
Deixei de ver o porto onde fazia a cárrega.
Navego sem conhecenças, não diviso o rosto de outros marinheiros.
Por isso, hoje não atravessarei as ruas entre plásticos e barros, entre vergas e carrosséis.
Não ficarei à mesa para o frango com pó.
Ninguém me chamará pelo nome.


por MCV às 08:43
endereço

2 comentários:
De Anónimo a 8 de Maio de 2004 às 18:33
chego aqui.. gritando.. rouca até.. a te procurar... não me ouves? escuta-me, baixinho, de mansinho, a te procurar...\beijos
(a... vc)
///~..~\\\AVOZ
</a>
(mailto:AVOZ@UOL.COM.BR)


De Anónimo a 8 de Maio de 2004 às 15:38
Que bom - e que honra também... - descobrir alguém tão bom através da lista dos que me leram. Obrigada pelo link e parabéns pelo blog. Um abração!Cibele
(http://www.bichodoporao.blogger.com.br)
(mailto:cibele@infonet.com.br)


Comentar post

ANO XIV


EDITORIAL
. Posts recentes

Vila Nova, 201...

Cascais, 2017

Portugal, toponímia, 2...

Portugal, 2007

Ramal de Cáceres, 2011...

...

E.E.N.N. 263/389, 2007...

Belver, 2014

Lisboa, 2008

Aveiro, 2013

. Arquivos
. Links