Terça-feira, 4 de Maio de 2004
Os intelectuais e a política
Meter prego e estopa em campo minado é leviandade. Mas apetece-me hoje entrar por caminhos ínvios mais uma vez.
A primeira questão que se levanta logo é definir o intelectual. O que é um intelectual?
Em tempos, dei a minha definição a um velho amigo com o qual partilhei o número suficiente de viagens de carro para termos tempo para muita conversa fiada.
Não ficou muito de acordo. Deu a dele.
Estou convencido de que hoje, se fosse caso disso, ainda trocaríamos longos argumentos sem resultado nenhum.
O que nos levaria para outro campo, o da discussão. A isso irei em outra altura.
Não estou convencido de que a definição que apresentei nesse dia seja melhor do que todas as outras. Mas estou convencido de que é um conceito suficientemente vago para ser visto e carimbado de muitas formas.
Como todos ou quase todos os conceitos que não são matemáticos.
Talvez que eu me refira a um subconjunto mal definido desse conjunto difuso de cujos elementos se diz que são intelectuais.
É isso com toda a certeza. Uma vez que qualquer conjunto é subconjunto de si próprio.
Adiante.
Há em grande parte das análises e dos comentários políticos uma base de erro que me espanta.
Essa base, passe a redundância, é partir do princípio que as coisas, a sociedade, os homens, o seu comportamento, são racionais.
Nada mais errado.
Todas as construções que se fazem com essa base, são inevitavelmente instáveis. Para não dizer outra coisa.
O que me leva sempre a imaginar o que seria a condução de uma sociedade entregue a tais cabeças.
Devo dizer que considero, não sei se erradamente, que o bom político não pode ser um homem de horizontes muito largos. Mas se o é, tem que os ter tão largos que isso lhe permita ser capaz de os encurtar.
Tudo isto que acabei de dizer tem tanta razão ou tão pouca que nem sei onde me inclua.
Se no grupo dos políticos, se no dos intelectuais, se no dos presumidos, se no dos irrefutavelmente ignorantes.
Como é que se podem dizer coisas sem pretender racionalizar ou ser artista?


por MCV às 19:19
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1 comentário:
De Anónimo a 5 de Maio de 2004 às 23:29
O teu post fez-me lembrar uma coisa que escrevi tempos atrás aqui fica: -----Luminárias pouco iluminadas-- As sumidades iluminadas/Encerradas, confinadas/À cultura académica/Pensam que a escrita tem de ter pedrigre/Pergaminhos/Que pertence só à upper class./Não se misturam com a ralé/Empinam os narizes/Armam-se em juízes/Inquisidores, caluniadores/Puxam da cultura/Como quem puxa dos galões/Falam por clichés/E terminam as frases com:/"Eu que tenho cultura académica"./E eu que sou bas-fond/Ralé/Sem pedrigree/Mas escrevo o que sinto/Não reproduzo o que leio/E digo palavrões/Incomodo as sumidades académicas. /As sumidades académicas/Preferem os poetas mortos/Porque assim não os contestam/Eu não faço vénias à cultura académica/Porque admirar, admiro quem cria/Não, quem pedantemente/Só critica o que é dos outros/Não, quem nunca criou nada/Que possa dizer:/Está aqui é meu!"--- Da sem cultura académica e não intelectual Encandescente
encandescente
(http://eroticidades.blogs.sapo.pt/)
(mailto:encandescente@sapo.pt)


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