Domingo, 2 de Maio de 2004
Concessão à bola
Reparo hoje que a minha última referência ao futebol, descontando o post anterior parece datar do último Benfica – Sporting, a 4 de Janeiro. Há uma outra a propósito dias depois, nada mais.
Falava então dos seis milhões de benfiquistas, esses alegados 60% que agora dormem mais descansados.
Faço esta concessão naquela linha tradicional do contra. O Sporting perdeu, não se fala de futebol. Pois eu falo. Já que falo tão pouco de bola, lá vai.
Disse uns dias depois no tal outro e último post que o campeonato estava arrumado desde o dia em que o Sporting ganhou ao Leiria, a 20 de Dezembro. À 15ª jornada. Ou seja, de acordo com umas tabelas que me mostraram, nos últimos não-sei-quantos anos, nenhuma equipa recuperara a distância, da 15ª jornada até ao final, para o primeiro que se verificava então (considerando a percentagem de pontos obtidos sobre os possíveis).
Pois é, nesse dia o Sporting ganhou e ficou fora da carroça. Pelo que os números ditavam.
Hoje, aconteceu o que se temia. Principalmente para aqueles que fazem contas ao dinheiro, lá se vai a hipótese de reduzir o défice.
Em algum lado da história, o futebol deixou de ser aquela coisa de clube, camisola, facção e passou a ser negócio, empresa, rendimento, mas um negócio piramidal, ruinoso e pouco empresarial. Nunca me empolguei muito com futebóis. Nesta coisa de bola, só tenho saudades é do muda aos cinco e acaba aos dez, em que fazia a minha perninha. Futebol é jogar à bola, não é ficar a ver os outros jogar. Mas sabe-se lá como, numa esquina qualquer, vi-me sportinguista. E lá tinha as minhas discussões com o empregado da pastelaria, fervoroso benfiquista, que ainda deve estar a recuperar da tareia que lhe dei quando o Lourenço (o outro Lourenço) marcou quatro na Luz (a outra Luz).
Esta minha filiação clubística é um mistério. Nunca percebi na minha família a não ser já com os meus cabelos brancos qual era o clube de cada um. E tive as minhas surpresas. Já aqui falei disso também.
As coisas hoje estão longe desse tempo em que me colocava dentro do balcão da pastelaria para melhor alvejar o meu adversário do alto dos meus sete anos.
O futebol é hoje uma necessidade ainda maior. Basta olhar para as falanges ululantes e pensar o que seria se não tivessem aquele escape para a energia (estúpida?) que acumulam.
Basta ouvir as discussões acaloradas e facciosas para perceber que, se não houvesse a bola, aquela verve incendiária cairia sobre coisas bem mais importantes, e de forma certamente desastrosa.
Ainda se lembram do “ópio do povo”?
Dito isto, acrescentar apenas que continua a tornar-se imperativo fazer o tal escrutínio para saber qual é o erro dos 6.000.000
E outra coisa, isto muito sinceramente, se calhar é melhor que vá o Benfica à Liga dos Campeões. Sempre costuma fazer melhor figura.
Como é que é possível que eu tenha falado tanto de bola?
Ah, e vi o jogo. Há muitas luas que não via um jogo de futebol de fio a pavio. Estou a ficar velho, deve ser isso.


por MCV às 23:28
endereço

3 comentários:
De Anónimo a 3 de Maio de 2004 às 20:20
Pois é, Manuel,
Também perco meu tempo a falar do futebol; do meu Flamengo.
Penso-me, ou idiota ou enganador, pois lá se vão uns 30 anos, no mínimo, que não vou a um estadio pra ver um jogo de bola.
Ao mesmo tempo, cada vez mais, me desencanta essa boçalidade que habita os campos de futebol, com os tais "craques" fazendo das pernas dos outros alvo de suas frustrações.
Então, como vc, me pergunto:Porque falo tanto de futebol?
Sabe-se lá!
Abração
Fernando CalsFernando Cals
(http://observador.blogbrasil.com)
(mailto:fcals@globo.com)


De Anónimo a 3 de Maio de 2004 às 16:43
Arabella deve estar ficando velha tb. Hj, ela escreve sobre o sono. Percebe que valoriza o sono, ado, na juventude, sono, para ela era perda de tempo...
beijos e bom jogo
///~..~\\\arabella.bella
(http://arabella.bella.blog.uol.com.br/)
(mailto:arabella.bella@uol.com.br)


De Anónimo a 3 de Maio de 2004 às 16:42
venho por aqui a procurados ecos da minha mente, dos meus pensamentos em seus escritos... e encontro... futebol!!!
heheh
beijos mil (melados)
avoz
(http://www.dooutroladodasteclas.blogspot.com/)
(mailto:avoz@uol.com.br)


Comentar post

ANO XIV


EDITORIAL
. Posts recentes

Perguntas que não pode...

Perguntas que não podem f...

J.R.

E.N. 236-1, km 0

Picos de irracionalida...

Picos de irracionalidade

E.N. 236-1

Beja, 2011

Azenhas do Mar, 2008

Espanha, 2010

. Arquivos
. Links