Quarta-feira, 7 de Abril de 2004
Mar das Antilhas
Descobriu a fotografia a meio da manhã
Num semi-deserto povoado de nómadas
Que pagavam caro a sua estadia sazonal.
Deixou-se ficar junto da praia,
Admirando as gaivotas na pequena lingua d'areia
E auscultando o mar.
Desejou regressar à pequena cabana de colmo
Para se bater com um peixe fresco
E provar o tal branco que fresquinho...
E recordou as tardes de água verde
Escorrentes e embaladas
Pelo som de segredos ciciados no seu corpo.
Entendeu o prazer como um corolário meditabundo
De pós-guerra
Pondo na lembrança as mulheres possuídas.
Resumiu as vivências acumuladas
Numa canção recuperada às juke-boxes
De verões sessentistas e sorriu.
Gozando sol e mar
Nas suas paragens preferidas
Largou fumaças sob as escuras lentes.
E então contemplou o casario longínquo,
De branco pintado entre palmeiras e muros,
Mirou o imponente castelo
Que parecia flutuar sobre as areias e o rio
E, àvidamente, descobriu a fotografia!
Faltavam sete minutos para o meio-dia!

SG, "Dizeres do Sul", 1993



por MCV às 17:20
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1 comentário:
De Anónimo a 8 de Abril de 2004 às 04:48
Oi, Gasolim amigo,
Que beleza de poema!!!
Abração
Fernando CalsFernando Cals
(http://www.cadaserra.blogger.com.br)
(mailto:fcals@globo.com)


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