Quinta-feira, 1 de Abril de 2004
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Vamos dizer mais mal de ti ou de mim?
Dos dois, pá. Sem personalizar.
Mas tu é que te ajoelhaste aos pés do pai dela.
Mas pensava que era ela que vinha à porta.
Enganos. Mas ponho o quê? Os teus amigos?
Sim. Os teus amigos são insuportáveis, qualquer coisa assim.
O.K.. Achas que a letra tá boa assim?
Tá. Achas que ele vai olhar muito para a letra? É letra de gaja e chega.

Então, ele mordeu o isco?
Não te disse nada?
Não.
A mim disse-me. Disse-me que não percebia nada daquilo.
Então?
Ó pá, não percebia nada daquilo. Quem é que teria escrito a carta a ela. Acho que ele pensa que foste tu!
Pensa?
Se não pensasse, tinha-te dito. Ele pensa que foste tu e está admirado por ela ter respondido.
Quer dizer que vem esperá-la ao comboio?
Vem. Deve estar a aparecer.

Devíamos ter ficado do lado de lá.
Pois é. Mas onde é que a gente se escondia?
Eh pá, não nos escondíamos. Ficávamos ali ao pé da cancela e aparecíamos como quem não quer a coisa.
Aí é que ele desconfiava logo.
Achas que sim? Assim também não vemos a cara deles...
É agora! Apostamos?
Que ele falou com ela? Pois falou. Então para que é que viria esperá-la?
Olha! Olha-me bem para aquilo!
Eu não acredito! Ela está a ler a carta!

Ele não te disse nada?
Não.
Então é porque pensa que foste tu. Mas também acha que fui eu.
Então?
Disse-me seus cabrões, foram vocês. Mas depois disse-me que não percebia porque era mesmo a letra dela, frases dela...
E engatou-a?
Não sei. Acho que sim.


por MCV às 23:05
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