Sábado, 27 de Março de 2004
Uma tíbia à porta do cemitério
Ia às vezes para aqueles lados.
Entre muros, as ervas escondiam antigas lápides, algumas belamente trabalhadas.
O panorama para o exterior, junto ao muro baixo dos fundos, era deslumbrante.
Naquele dia, estranhei encontrar uma tíbia, esquírolas e restos de dentes junto à porta.
Entrei e vi o que não queria.
Pedras partidas, grades arrancadas, fezes de animais, uma triste revolução sobre as sepulturas.
Fiz uma ronda e levantei grosseiramente os estragos de um estranho vandalismo, dificilmente atribuível.
No posto da guarda, assim que vi que o plantão era maçarico, e que não o conhecia, limitei-me a descrever o que tinha visto e a pedir que comunicasse ao comandante, depois de me identificar.
No dia seguinte, encontrei o comandante do posto. Tal como eu suspeitava, não fora informado.
Falámos demoradamente e ele quase se desculpou por deixar que tal tivesse acontecido.
E que falaria com os responsáveis locais. Estava convencido de que ninguém, a não ser eu, se apercebera do ocorrido.
Retorqui com uma pergunta respondida: “Sabe de quem é a culpa? É de nós todos.”

Nas eleições seguintes, houve até quem incluísse uma alínea no programa para falar na valorização do cemitério velho.
Houve depois até uma reportagem num dos canais de televisão.
Tudo continuava na mesma, da última vez que lá fui.
A culpa é de quem?


por MCV às 16:29
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