Quinta-feira, 25 de Março de 2004
A estranha palavra ou os sinais imprevisíveis
Usara aquela palavra a despropósito.
Sempre designara assim certas coisas desde que se lembrava.
E nunca percebera porquê, como se isso pudesse ser percebido.
Naquele dia, desmanchava a tenda, depois de uma feira de cem anos.
Abriu até pela primeira vez em mais de meio século, uma certa porta.
Viu o azul celeste debaixo do amarelo, debaixo do cinzento, debaixo do branco, nas camadas de cal.
Fosse para onde fosse que demorasse o olhar, sentia a alma da casa a ranger.
Era a ele que cabia fechar as portas, à quarta geração.
Nesse momento, a sua ama entrou-lhe pela porta. Não a via há alguns anos.
Como se os sinais se houvessem de se juntar teimosamente, ouviu-a na outra ponta dos dois quartos, feitos um, feito espaço público, murmurar:
“As voltas que eu dei para perceber porquê...”
E ali mesmo, revelou o segredo, quarenta anos depois.


por MCV às 08:25
endereço

2 comentários:
De Anónimo a 26 de Março de 2004 às 22:20
Pois é, menina.
Mas você sabe mais ou menos do que falo.
Não saberá do episódio e da palavra. Mas sabe do ambiente.
AbraçoManuel
</a>
(mailto:gasolim@hotmail.com)


De Anónimo a 25 de Março de 2004 às 22:45
Vc às vezes é meio enigmático... mas esse post não deixa de ter a sua força e a sua poesia.
Abraços!Lilian
</a>
(mailto:novaral@hotmail.com)


Comentar post

ANO XV


EDITORIAL
. Posts recentes

Póvoa de Varzim, ...

Portugal, 2008

Um caso clássi...

Memorandum

Portugal, 2006

Vila Franca de Xira, 2...

Portagem, 2011

Foz Tua, 2016

Portugal, 2017

E.N. 246-1, 2011

. Arquivos
. Links