Terça-feira, 2 de Março de 2004
A utilidade
Para que servirá este blogue?

Uma das consequências que devemos tirar do facto de haver quem nos leia, é que não podemos usar de excesso de modéstia. Isso seria menosprezar também aqueles que aqui vêm ler estas linhas.
Poderia até ser encarada como altivez, como quem diz: escreve os disparates que quiseres que virá sempre aqui alguém.
Pois não é assim.
Nem escrevo para disparatar, embora às vezes pareça. Nem escrevo com determinado objectivo.
Não comento as actualidades, já todos o sabem. Ainda que ali ou acolá, me resvale o pé para o jornal da antevéspera.
Não escrevo sobre um assunto em particular, embora confesse que, de início, julguei que este blogue viesse a ser um blogue estradista. Tratasse de estradas, de caminhos, de viagens. Tudo ou quase tudo em Portugal, na exacta proporção dos meus conhecimentos.
Mas não foi assim.
Vieram as histórias, as perplexidades, que já não são ou não deviam ser muitas, na minha idade.
Veio o olhar sobre as coisas, encarcerado na duplicidade da minha ignorância e das minhas pulsões. Um homem que desconfia que a vontade humana é um mito, pode opinar pouco sobre as coisas. Mas fá-lo. É essa duplicidade que em outros se encontra noutras coisas que me deixa ao mesmo tempo aborrecido e fascinado.
Por isso alvitro. A mor das vezes com a qualidade das teorias que nunca se poderão demonstrar ou desmentir.
Por um caminho que a nada conduz.
Mas faço-o sempre com a convicção de que a minha vontade (a vontade humana, bem entendido) se explicará um dia, à luz da biologia ou de outra ciência qualquer. Mas com toda a certeza não será explicada aos humanos. E haverá para nós explicações e ciências para além das que entendemos e entenderemos como tal? Melhor dizendo, alguma vez aceitaremos algo que não consigamos compreender? Ou é isso o que afinal fizemos, fazemos e faremos todos os dias? E não me refiro a religiões ou crenças.

Não. Não estou a perder o fôlego.


por MCV às 17:25
endereço

2 comentários:
De Anónimo a 2 de Março de 2004 às 20:01
"Ou é isso o que afinal fizemos, fazemos e faremos todos os dias?" - a questão é velha.
Tão velha e tão sem resposta. Todos os dias rejeitamos coisas que não compreendemos e todos os dias aceitamos outras nas mesmas circunstâncias.
E haverá alguma coisa que compreendamos, para além das que nós próprios criámos e dentro delas as que só dependem da imaterialidade, como a matemática? (se descontarmos o facto de a base aritmética provir de uma contagem à partida material...)
Toda a compreensão, seja lá o que isso fôr, tem a sua escala e o seu grau de satisfação. A uma certa escala, damo-nos ou não por satisfeitos, com uma determinada explicação.
Agora que dá pano para mangas, isso dá...
Manuel
(http://gasolim.blogs.sapo.pt/)
(mailto:gasolim@hotmail.com)


De Anónimo a 2 de Março de 2004 às 19:20
"Alguma vez aceitaremos algo que não consigamos compreender?"
- Quase sempre. Pelo menos é o que eu acho.

Ana C.
(http://pequenashistorias.blogspot.com/)
(mailto:pq@yahoo.com.br)


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