Segunda-feira, 1 de Março de 2004
A contagem do tempo (revisto)
(a propósito de bissextos)

Sabemos todos que os nossos calendários são de base solar e lunar.
O ciclo solar, ou melhor, os ciclos solares diurno e anual determinam a nossa contagem do tempo.
Já os ciclos lunares são de mais duvidosa utilidade nos dias que correm.
Dias e anos são assim as unidades fundamentais da nossa contagem.
Semanas e meses correspondem pouco rigorosamente aos ciclos lunares.
Todas as outras, mais recentes - segundos, minutos, horas – são discutíveis. Não passam de convenções do homem na procura de um certo rigor.
Acontece que os anos não são múltiplos dos dias e que os ciclos lunares não se encaixam nos solares.
Mas a nossa necessidade de ordenar as coisas, diferente de civilização para civilização, e mais rigorosa com o decorrer do tempo, conduziu-nos a calendários mais ou menos complexos que procuram coincidir com a realidade.
A verdade é que o actual calendário gregoriano, aperfeiçoamento de outros mais antigos, e mestre da contagem do tempo, já que submeteu todos os outros de civilizações diversas, é uma manta de retalhos pouco coerente e pouco conforme com as nossas medidas decimais.
Se os dias e os anos são a base de que se tem obrigatoriamente de partir, já a dependência de semanas e meses face a um aproximado ciclo lunar, pode ser contestada.
As novas propostas de calendário coincidem mais na necessidade dos meses conterem um número inteiro de semanas do que na uniformidade quanto ao número de semanas. O que dá quase sempre meses de 28 dias, com 4 semanas de 7 dias e meses de 35 dias, com 5 semanas de 7 dias. Os acertos fazem-se depois com dias suplementares em cada ano, bissexto ou não.
Se é verdade que a deixar cair o ciclo lunar, não se vê a necessidade das semanas terem 7 dias, apesar das óbvias resistências dos sectores religiosos, também o é que não há nada que justifique o dia de 24 horas. Nem a hora de 60 minutos, nem o minuto de 60 segundos.
Nesse ponto, poderíamos até aproximar-nos da nossa preferida escala decimal: dia de 10 horas, hora de 10 minutos, minuto de 10 segundos, por aí fora, até uma unidade da mesma ordem do actual segundo.
Sabendo sempre que os dias tal como os anos não têm todos a mesma duração. Os dias evidentemente, os anos menos evidentemente.
Poderíamos até ter semanas de 10 dias, meses de 10 semanas. O que daria 3,5 meses de 100 dias mais 15 ou 16 dias adicionais. O que também não é muito racional, à partida, bem o sei.
É claro que cairia o Carmo e a Trindade em todas as línguas, se uma proposta destas fosse, por exemplo, apresentada nas Nações Unidas.
Mas, descontando todo o ruído de fundo, as pessoas não trabalhariam mais do que o tempo que trabalham com este actual calendário. As grandes religiões teriam sempre os seus feriados como os têm hoje. Calcular datas tradicionalmente dependentes do ciclo lunar não seria mais difícil do que é actualmente.
Agora, o mundo adaptar-se a isso, é outra história.
Mas não nos adaptámos já a tanta coisa nova?
Alguém se lembra da grande crise que se anunciava com a adopção da moeda europeia?
Pois então.
A questão principal é: serviria de alguma coisa?


por MCV às 14:25
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4 comentários:
De Anónimo a 1 de Março de 2004 às 23:45
Em primeiro lugar, uma saudação muito especial ao JPT, primeira visita vinda dos lados de África a este canto. Depois, a constatação (é mais suposição): se algum dia avançarem com isso, não há-de ser no nosso tempo.
Agora que há de facto uma série de propostas nesse sentido também é certo. Só que são coisas tão secundárias face às necessidades do mundo, que não parece que possam ser tomadas a sério tão cedo.
Continuaremos pois com os nossos Janeiros de 31 dias. E outros com outras contagens, as mais diversas.
Manuel
(http://gasolim.blogs.sapo.pt/)
(mailto:gasolim@hotmail.com)


De Anónimo a 1 de Março de 2004 às 23:22
certo, mas se o calendário funciona, e se a pluralidade de calendários mundiais também, para quê mudar...deixemo-los orientar-nos, que bastam todas as outras confusõesjpt
(http://www.mpundzu.com/blogs/maschamba)
(mailto:maschamba@hotmail.com)


De Anónimo a 1 de Março de 2004 às 20:21
Assim é, de facto.
Com alguns outros pormenores curiosos de ajuste pelo meio, cá andamos com as calendas.
O interessante é saber se haverá lugar para algum tipo de uniformização universal. E para maior racionalização. Com tantas contagens diferentes por esse mundo, embora cada vez mais cativas do nosso calendário, quando será que isso acontece?
Manuel
(http://gasolim.blogs.sapo.pt/)
(mailto:gasolim@hotmail.com)


De Anónimo a 1 de Março de 2004 às 18:35
O calendário começou exactamente como propões no final do teu texto. Divididos em dez. Dez meses.
Se decompuseres a palavra Dezembro verificarás sem dificuldade que representa Dez(embro).

Uma série de ajustamentos foram feitos ao longo do tempo.

Chegamos entretanto a César. Júlio César. (Julho quer dizer Júlio). Inteligente, e com relações privilegiadas com Cleópatra e o Egipto, recorreu aos serviços dos excelentes astrónomos da ancestral civilização. Passaram então a haver meses de 30 e 31 dias. Um sim, um não, com excepção de Agosto que tb tem 31. Deve-se esta situação, ao facto de Augusto, tb Imperador Roamano, achar que :1º: tinha direito a ter um mês com o seu nome.
2º: O mês, teria de ter tantos dias, quanto o mês atribuido a Júlio César.
Apesar de tudo, este calendário, tem alguma fiabilidade. Como saberás, só de 400 em 400 anos, precisa de ser ajustado.
Gostei de qq forma da abordagem.
A Astronomia fascina-me.AcasoDasLetras
(http://LetrasAoAcaso.blogs.sapo.pt)
(mailto:manintherisingsun@hotmail.com)


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