Segunda-feira, 7 de Agosto de 2006
As sardinhas do Encalho* ou o Édipo clupeidiano

"Eu, se elas 'tivessem bem passadas, ia às quarenta!" [comeu 36 num quarto de hora e terá ganho um concurso] - indivíduo no Festival da Sardinha em Portimão, a 6 de Agosto de 2006. Ouvi na televisão.
Foi esta afirmação peremptória que me lembrou o caso.

Creio que nunca senti aquele tipo de complexo de suplantar o Pai.
Mas o caso é que havia um assunto em que pensava nisso.
Era pois em comer sardinhas, coisa que me vinha à cabeça de cada vez que ouvia o relato da façanha. E era um número a bater que me parecia modesto.

A coisa deu-se de manhãzinha. Com o bater à porta da senhoria balnear.
O alguidar cheio das ditas (pequenotas, logo boas para fritar, segundo ela) suscitou logo capeia (em boa verdade o que suscitou o sururu foi a palavra fritar, já que ela assim que fechou a porta, ainda mal agradecendo a oferta, já desferia na minha cara - mas afinal ela pensará que eu estou de férias ou sou cozinheira?).
Na minha então habitual tentativa de apaziguamento, socorri-me de imediato de um amigo dela. Chama-se o homem (que morava perto) e pronto, disse-lhe eu. Entre os três havemos de dar conta desses dez quarteirões, não achas? Afinal elas são pequenas mas deixam-se assar.
Foi assim que a dobrei.
Até comprei um garrafão de vinho para a coisa parecer mesmo a sério, assim oficial. E à hora aprazada lá fomos buscar o moço à estação de Cacela.
Ele, como bom cientista algarvio, não se deixou impressionar pelo conteúdo do alguidar. Era também da opinião que sim, que as domávamos. O único senão era o facto de o grelhador ser eléctrico, coisa em que tive que ceder, por causa já não sei de quê.
Engrenámos com a Ria Formosa aos nossos pés.
Por ser já escuro de Julho, coisa das dez e tal da noite, não nos apercebemos bem da cresta que inflingimos ao pescado. Foi às apalpadelas que um disse Não há mais.

Complexo arquivado. Pelas contas que se deixaram fazer, pelo menos 70 tinha derrubado. Se eram uns dez quarteirões...

A moda de fundo, unplugged, era uma imitação de Nuno da Câmara Pereira cantando, ao volante, a Isabel Santa Senhora, Raínha Santa Isabel.


* Este Encalho é o que fica ali entre São Teotónio e a Zambujeira.



por MCV às 23:57
endereço

ANO XIV


EDITORIAL
. Posts recentes

Mourão, 2013

Perguntas que não pode...

Perguntas que não podem f...

J.R.

E.N. 236-1, km 0

Picos de irracionalida...

Picos de irracionalidade

E.N. 236-1

Beja, 2011

Azenhas do Mar, 2008

. Arquivos
. Links