Segunda-feira, 20 de Fevereiro de 2017
A cadela que pariu quatro pássaros

Sendo um azul, um vermelho, um preto e outro, de cor indeterminada, julgo.
Os quatro pássaros que, antes disso, eram dois cães, um branco e um preto, envoltos numa espécie de lã de ovelha, empapada de humidade. Depois de lavados, numa espécie de milagre em que alguém lavou o azul, suponho, e os outros, na casa da Rua Nova. Obviamente, alguém os lavou na cozinha de dentro e eu na casa de banho, suponho, para depois os voltar a colocar junto à cadela. Aí já estavam, filhos de galinha, em cima de um fio. Sendo que o vermelho tomava posições de liderança e instava-os, batia mesmo com as asas, digo com os braços, digo, nos outros, tomando uma posição mais ou menos a meio do fio, já não me recordo.
Depois com umas tentativas, não sei de quê, de alguém que queria oferecer o vermelho a um comunista, eles voaram para cima do muro, do muro para uma espécie de jardim que havia do outro lado, ou quintal. Eu depois recuperei o azul e o azul passou a ser uma espécie de companheiro. Só que, em virtude de qualquer ajuda que eu lhe dei, ele levantou voo e ao baixar, para recuperar energia ou qualquer coisa do género, falhou-lhe o motor do lado direito, digo eu, e a asa direita bateu no chão e ficou muito danificada. Perdeu parte da asa. Então, a partir daí deixou de poder voar e eu tomei conta dele ou qualquer coisa desse género.
É claro que isto se passou antes ou depois de eu pertencer ao governo. Ele (quem?) era o Primeiro-Ministro, sem dúvida nenhuma. Tava lá o Ministro da Presidência e um outro de que eu não me recordo. Éramos os quatro. Pois... tínhamos que decidir sobre qualquer coisa, tão importante, tão importante que saímos do Conselho de Ministros. Deixámos os outros a falar e fomos para o... para uma daquelas salas que há por dentro na Gomes Teixeira. E numa sala onde havia pouca gente ou não sei quê, um sítio onde os jornalistas não tinham... não tinham acesso, que a porta era...um processo de porta de apartamento que se fechava... e depois havia lá várias salas para dentro. Numa das salas havia um indivíduo sentado, a escrever à máquina, suponho. Nós ficámos do outro da sala. Aquilo tinha... eram umas salas compridas com vãos sem porta, comunicavam umas com as outras, portanto ele estava numa subdivisão dessa sala, nós estávamos numa outra e estávamos a discutir um assunto importantíssimo. Que nunca se chegou a saber qual é, embora soubesse. Soubesse eu, soubesse, todos sabiam mas todos diziam que não sabiam.
Depois disso, dá-se um caso curioso que é... começa a aparecer gente de fora, assim... aparece um tipo que me deve ter tido coisas horríveis, não me recordo o quê, que me legitimaram assassiná-lo. Assassinei-o mesmo ali, à vista de todos. A partir desse momento, o PM disse que eu ‘tava fora do Governo. Eu também lhe disse que sim, que estava, mas que ele tinha que compreender a minha atitude. Ele disse que sim, que compreendia mas que ‘tava fora do Governo, não podia de forma nenhuma nem sequer deixar-me colaborar com ele, coisa que eu... admiti porque a mais leve suspeita a esse respeito podia destruir a estabilidade política do Governo e do País. De forma que ficámos ali na mesma a conversar, os assuntos do Governo, não se falou em substituir-me no Governo mas eu não seria bem um ministro, seria assim... um pouco acima de ministro ou um pouco abaixo, sei lá.

(23 DEZ. 06)



por MCV às 22:27
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