Quarta-feira, 19 de Outubro de 2011
GPS
Quando aqui dei nota, há cerca de quatro anos, do que me suscitava a utilização de um aparelho de GPS, referi que preferia a cartografia militar do IGEOE aos mapas que normalmente informam tais aparelhos.
Não via então grande utilidade no vire à esquerda a 200 m e saia na segunda saída da rotunda a 500 m.
Ora foi justamente neste ponto que aceitei a coisa, acabando por me render condicionalmente.
Nunca precisei de mais do que um bom mapa em papel para me orientar em território incógnito. Em Portugal, os do ACP bastavam-me. E bastam-me.
Bastam-me desde que eu não ande à procura de uma rua cujo nome é uma data dentro de um povoado mais ou menos remoto.
Experimentei colocar as coordenadas das ruas que procurava e accionar o navegador dentro da localidade de destino.
Sempre que não havia erro no Google, no Bing ou na base de dados incluída, a coisa funcionava naturalmente na perfeição. E estes erros são frequentes.
Depois, em terras próximas, permiti que me guiasse de uma a outra pelo caminho mais curto.
E foi aí que me dei conta que me deixara levar literalmente.
Ao ligar o piloto automático, perdera a noção do espaço, a tramontana.
Para quem se habituou a um sentido de orientação muito pouco falível, a sensação de desnorte foi perturbadora. Como no limiar do sono, o desligar deste sentido, que bem pode e deve ser o sexto, embora seja subsidiário da visão e da audição, talvez do olfacto, fez-se sem aviso.
O Homem terá perdido e ganho sentidos e capacidades. Haverá ferramentas que contribuem decisivamente para a perda rápida de algumas destas. Pode ser que este aparelho se torne responsável por uma redução da acuidade na orientação.
Depois, fica uma parte positiva. Aquilo que eu por vezes fazia e que era marcar um trajecto efectuado num mapa a titulo de memória de jornada, ele dá-me já feito. É só preciso um mapa e uma folha de cálculo, despejam-se os dados e lá está a carreirinha. Mais, com horário de passagem.
No resto, terá a breve trecho a carta militar tal como eu pretendia de início.
E continuará a bordo, apenas para navegação de cabotagem, registos, e referenciação geral.


imagem do site do IGEOE


por MCV às 21:35
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2 comentários:
De Bic Laranja a 19 de Outubro de 2011 às 23:06
Também me aflige o desnorte. Mas comigo são só os lacetes na estrada sobre mapas da Farinha Amparo (do saco de plástico, leia-se).
Cumpts.


De MCV a 20 de Outubro de 2011 às 01:42
O facto de ter uma bússola embutida no cérebro faz, no meu caso, com que os episódios de bússola doida, ainda que raros, sejam rocambolescos.
Eu, mapas, quero os do ACP.
Já vi obra que é do mais ridículo nessas editoras multinacionais.
Abraço


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