Domingo, 10 de Outubro de 2004
H.E.L.


imagem da DGEMN

Nem Puto Charilas, nem Cara Linda, nem Moisés, nem Mal-Disposta.
Temo que nenhum tenha escapado. Talvez que um deles, qualquer que seja, o tenha conseguido e pense agora, se é que pensa, o mesmo de mim.
Passou uma vida, desde essa época. Entre as futeboladas no átrio, com a porta do elevador como baliza e as encapotadas disputas pelas atenções da cara mais linda, ainda havia tempo para sonhar (ó, se havia!) com a libertação.
Mas de tudo isso, o que mais vem à lembrança são as explorações que me deixavam conduzir pelo edifício. Um castelo encantado, cheio de corredores escuros, luzes a piscar, gente falando baixinho, odores de éter, guarda-ventos, gemidos, silêncios. Era por esses corredores que a expedição seguia, de pijama. Evitando sempre ser vista.
Admira-me hoje que jamais tenhamos sido interceptados. Escolhíamos a hora parda do lusco-fusco e com toda a certeza, colhíamos o beneplácito de enfermeiras e ajudantes. Crianças em fim de vida, deixá-las ir - é isso que ficou.
Essa sentença nunca proferida mas adivinhada na facilidade com que nos esgueirávamos pelas escadas, tomávamos elevadores, cruzávamos o hospital de ponta a ponta. 02 - era ver quem se atrevia a sair do elevador. Tudo escuro. Nenhum de nós afinal imaginava ir ali parar.



por MCV às 02:36
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