Sexta-feira, 23 de Abril de 2004
Um círio que não flameja
Gastos os pneus
Do carro cinzento
Na velha garagem
De porta de chapa esburacada.
Pelos buracos
A luz de cães errantes
Sobre a calçada.
Já mal se distinguem
Os sons do carro de parelha
Com chapa de Ourique.
Apenas o cacarejar de uma galinha choca
Se confronta com o zumbido eléctrico
Da bomba de água.
Cheira a lenha e a sul.
A cal caída sobre as ervas
E a fruta amadurecendo
Ao sol.

SG, inéditos, 2001


por MCV às 13:29
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