Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2004
Dias de Terra Sigillata




Atravessava-se a ponte já de café bebido.

Era olhando a ribeira que se abria o maço de Definitivos.

O outro com a alcofa na mão.

Lá subíamos a calçada e nos íamos pendurar no talude, depois de afastar as piteiras e o mato mais rasteiro.

O sol do outro lado, manhã quente. Se não fosse a face umbria do cêrro, a coisa não se fazia em verões assim.

De sachola, escova, trapo, lá estávamos. Pó em barda. Vez em quando, umas pedras a rolar debaixo das solas, davam-nos o exacto valor do risco.

Mas a ponta de uma ânfora tudo acalmava.

Não fosse sabermos que se a não conseguíssemos extrair nesse dia, a manhã seguinte mostrar-nos-ia os cacos que dela restariam.

A terra sigillata ainda escapava ao vandalismo. Era perfeita demais para ser antiga.

É que não era possível que não andássemos às moedas. E de ouro.



imagem em


por MCV às 04:30
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